Mais de 535 mil portugueses identificam-se como não-brancos. 1,2 milhões de pessoas já sofreram discriminação no nosso País

As estatística mostram que, no nosso País 1,4 milhões de pessoas têm background imigratório, sendo 947,5 mil imigrantes de primeira geração.

Pedro Gonçalves

Em Portugal, há mais de 1,2 milhões de pessoas que dizem já ter sido alvo de discriminação. É o que revelam os resultados do  Inquérito às Condições de Vida, Origens e Trajetórias da População Residente em Portugal (ICOT), as primeiras estatísticas oficiais sobre a origem étnico-racial da população portuguesa feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados, revelados hoje, indicam que, dos portugueses entre os 18 e 74 anos, mais de meio milhão (535,6 mil) identificam-se como não-brancos.



Olhando aos vários grupos étnico-raciais, os portugueses autoidentificaram-se da seguinte forma: 6,4 milhões com o grupo étnico branco; 169,2 mil com o grupo negro; 56,6 mil com o grupo asiático; 47,5 mil com o grupo étnico cigano; e 262,3 mil com o grupo de origem ou pertença mista.

“A população que se identifica como asiática, origem ou pertença mista, negra e cigana apresenta uma estrutura etária mais jovem do que a que se identifica como branca”, sublinha o INE.

As estatística mostram que, no nosso País 1,4 milhões de pessoas têm background imigratório, sendo 947,5 mil imigrantes de primeira geração. Neste aspeto, estão em maior percentagem nas regiões  do Algarve (31,0% e 24,2%, respetivamente) e Área Metropolitana de Lisboa (29,2% e 18,8%, respetivamente).

“A população que se identifica com os grupos étnicos negro, asiático e origem ou pertença mista apresenta as maiores proporções de background imigratório (90,3%, 83,7% e 69,2%, respetivamente). A maioria dos imigrantes de primeira geração (65,2%) reside em Portugal há mais de dez anos. As razões familiares e profissionais são determinantes na vinda para Portugal”, assinala o INE em comunicado.

São mais de três quartos a população (76,3%) que afirma ter um sentimento de ligação por Portugal forte ou muito forte, mas apenas pouco mais de metade (53,5%) tem o mesmo sentimento relativamente à Europa.

Ainda assim, a população com background imigratório e os imigrantes de primeira geração apresentam maior ligação a Portugal do que ao país de origem da família ou ao país onde nasceram.

De acordo com os resultados apurados pelo INE, mais de 1,2 milhões de pessoas (16,1%) já sofreram discriminação em Portugal, mais sentida por pessoas que se identificam como ciganas (51,3%), negras (44,2%), ou com pertença mista (40,4%), assim como pelas mulheres (17,5%), as pessoas mais jovens (18,9%), escolarizadas (18,3%) e desempregadas (24,9%).

“Mais de 4,9 milhões de pessoas (65,1%) consideram existir discriminação em Portugal e 2,7 milhões (35,9%) já testemunharam esse tipo de situações. Grupo étnico, cor da pele, orientação sexual e território de origem constituem os fatores mais relevantes na discriminação percebida e testemunhada”, resume o INE.

 

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