Sabe o que é coliving? Está a crescer em Portugal

A procura por este tipo de habitação partilhada poderá atingir entre 16 e 18 mil camas em Lisboa e no Porto.

Filipa Almeida

Coworking já não será um termo novo para a generalidade das pessoas mas e coliving? Este conceito de habitação está a ganhar terreno em Portugal, sendo Lisboa (27.º) e Porto (39.º) duas das 40 cidades europeias mais apetecíveis para projectos deste género.

Coliving nasce no seio da economia de partilha e consiste no arrendamento de camas em espaços onde podem morar várias pessoas. Na mesma casa, os diferentes moradores partilham serviços e amenities, mas também experiências e conhecimentos. É um modelo transitório (regra geral, menos de dois anos), pensado para apenas uma fase da vida e para quem procura viver em comunidade.



De acordo com um estudo da JLL em parceria com a Joyn sobre o tema, o pipeline (projectos prontos a arrancar) actual tem potencial para crescer mais de 25 vezes no mercado nacional: isto significa que a procura por este tipo de habitação partilhada poderá atingir entre 16 e 18 mil camas em Lisboa e no Porto.

Neste momento, estas duas cidades somam apenas 50 camas de coliving em operação e uma carteira de outras 570 em desenvolvimento para os próximos dois anos. Santa Apolónia e Beato, na capital portuguesa, são duas das áreas onde estão a nascer empreendimentos do género.

O estudo “Portugal Coliving- Follow the Trend” revela ainda que na base desta procura elevada estão os nómadas digitais, os expatriados atraídos pelas multinacionais que se vão estabelecendo em Portugal, os empreendedores e estudantes internacionais e os jovens trabalhadores. Estes últimos, entre os 20 e os 35 anos, têm pelo menos uma licenciatura e ganham mais de 1200 euros líquidos por mês, vivem sozinhos ou com um cônjuge, não têm filhos e procuram flexibilidade.

Maria Empis, head of Strategic Consultancy & Research da JLL, sublinha que esta pode ser uma oportunidade para investidores que procuram segmentos onde a procura é muito maior do que a oferta e que estão de olho em retornos mais elevados e diversificação de activos. «O Coliving assume uma atractividade especial neste contexto, dando resposta à geração dos Millennials naqueles que são alguns dos seus gostos e necessidades mais marcantes: a partilha, a mobilidade, a flexibilidade e a experiência pessoal», indica ainda a responsável. E Portugal parece responder a todos estes requisitos.

«Apesar de os investidores e operadores nacionais e internacionais terem já investimentos em Portugal que aumentam em dez vezes o actual stock de camas, a oferta continuará a ser muito reduzida e está longe de dar resposta a esta procura latente. Com estes ingredientes não há dúvida de que vamos assistir a um crescimento forte do investimento no coliving nos próximos anos em Portugal, com Lisboa e Porto a serem vistas como cidades de grande oportunidade», acrescenta Maria Empis.

A nível europeu, contabilizam-se actualmente 23.500 camas associadas a coliving, incluindo projectos já construídos e outros em desenvolvimento. Do total dos projectos em funcionamento, 60% ficou operacional nos últimos dois anos. Londres e Amesterdão são os dois principais destinos deste tipo de solução, concentrando entre si 40% deste stock.

E o que procuram os adeptos de coliving? Localizações centrais em áreas cosmopolitas com acessibilidades, uma arquitectura moderna e funcional, design de ponta, edifícios recuperados e sustentáveis. Querem também áreas sociais, serviços, tecnologia, conectividade e acessibilidade, além de opções com espaço para quatro a 10 pessoas.

A estadia média fixa-se entre um e 12 meses, sendo os períodos de arrendamento semanais ou mensais. A renda quer-se com tudo incluído, ficando apenas de fora os serviços extra on-demand, em parceria com empresas especializadas. Por fim, é valorizada a figura do gestor de comunidade.

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