Donald Tusk vai tornar-se primeiro-ministro da Polónia e coloca ponto final a 8 anos de Governo nacionalista e populista

A sua nomeação vai colocar um ponto final a oito anos de Governo do partido nacionalista e populista do partido Lei e Justiça (PiS)

Francisco Laranjeira

Quase dois meses depois da eleição parlamentar ter dado a maioria a uma aliança de partidos da oposição, Donald Tusk vai tornar-se primeiro-ministro da Polónia esta semana: a sua nomeação vai colocar um ponto final a oito anos de Governo do partido nacionalista e populista do partido Lei e Justiça (PiS).

A aliança liderada por Tusk obteve uma clara maioria nas eleições de 15 de outubro mas o presidente da Polónia, Andrzej Duda, um aliado do PiS, deu ao primeiro-ministro em exercício, Mateusz Morawiecki, a primeira oportunidade de formar Governo, o que foi visto amplamente como uma tática retardadora.



O Parlamento vai votar sobre o Governo de Tusk esta terça-feira, sendo que este poderá tomar posse amanhã, o que lhe permitirá potencialmente viajar para uma cimeira de líderes da União Europeia que vai arrancar na próxima quinta-feira.

Este é um regresso triunfante de Donald Tusk, de 66 anos, que foi primeiro-ministro entre 2007 e 2014, antes de deixar a política interna para se tornar presidente do Conselho Europeu.

“Devemos ser capazes de nos convencer, a nós próprios, aos polacos e ao mundo que nos rodeia, de que estamos a restaurar o Estado de direito, de que esta não é mais uma iteração de uma guerra civil entre forças políticas em conflito”, salientou Tusk, em conferência de imprensa na passada sexta-feira, depois de se ter reunido com membro do seu Governo.

Esta segunda-feira, o ainda primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, chefe do Governo do PiS desde 2017, vai fazer um discurso no Parlamento no qual vai expor as prioridades do seu gabinete. Durante a tarde, a câmara baixa do Parlamento realizará um voto de confiança que Morawiecki certamente vai perder, uma vez que o seu partido tem 191 assentos no Parlamento de 460 membros, enquanto o bloco de coligação de partidos da oposição controla 248.

Um dos objetivos principais de Tusk será desbloquear 35 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos do programa de alívio da pandemia da UE e outros 76,5 mil milhões de euros de dinheiro regular da UE para o desenvolvimento. O dinheiro foi bloqueado pela Comissão Europeia até que a Polónia cumpra os marcos acordados para reverter as mudanças no sistema judicial que, segundo Bruxelas, colocaram os juízes sob controlo político.

Donald Tusk também criticou o breve interregno de Morawiecki – o mandato mais curto de um Governo na história polaca pós-comunista. “Estas duas semanas estão a custar à Polónia quantias gigantescas”, salientou Tusk. “É um desperdício de dinheiro, um desperdício de tempo e uma tentativa de deixar uma espécie de quinta coluna do PiS em todos os lugares onde for possível. Teremos de iniciar esta limpeza rapidamente e com passos muito decisivos.”

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.