O Brexit tem não só o poder de causar a desordem no Reino Unido, como poderá vir a desestabilizar a Europa, alertam vários especialistas ouvidos pelo “The Independent”.
«A participação britânica na Europa tem sido um elemento-chave na manutenção da estabilidade e da segurança no nosso continente. O facto de as três principais potências da Europa Ocidental – Reino Unido, Alemanha e França – serem todas membros da União Europeia ajudou a Europa a funcionar de forma estável durante muitas décadas. Afastar o Reino Unido dessa relação triangular vai alterar os delicados equilíbrios entre os Estados-Membros e, em última instância, enfraquecer a união», afirma Timothy Garton Ash, professor da Universidade de Oxford, em declarações ao jornal britânico.
Os especialistas estão preocupados com o aumento do populismo nacionalista. «Qualquer enfraquecimento da União Europeia irá, infelizmente, aumentar o risco de o nacionalismo populista de direita ganhar apoio em muitas partes do nosso continente», começa por explicar Conan Fischer, professor da Universidade de St Andrews.
No mesmo sentido, «tendo em conta a nossa história, sabemos que as falhas na solidariedade e estabilidade europeias tiveram consequências terríveis», afirma Beatrice Heuser, professora na Universidade de Glasgow, no Reino Unido. Há pelo menos 16 países, segundo Heucer, onde a estabilidade pode ruir a médio e longo-prazo com a saída do Reino Unido do bloco. Incluem-se nessa lista, entre outros, a Roménia, Bósnia, Kosovo, Egeu oriental, Bulgária, Ucrânia, Moldávia, Chipre, Estónia, Letónia, Lituânia, Bielorrússia, Kaliningrado, Catalunha e Flandres.
Recorde-se que, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, voltou recentemente a garantir que, se conseguir maioria absoluta nas eleições de 12 de Dezembro, o Brexit vai mesmo acontecer no próximo ano, tal como previsto no último acordo de prorrogação do prazo de saída. O divórcio inglês está marcado para 31 de Janeiro de 2020.














