Operação Espelho: 28 suspeitos detidos por suspeitas de tráfico de seres humanos conhecem hoje medidas de coação

São hoje presentes a juiz, os 28 detidos no âmbito da Operação Espelho, da Polícia judiciária, lançada ontem, de combate ao tráfico de seres humanos no Alentejo.

Pedro Gonçalves

São hoje presentes a juiz, os 28 detidos no âmbito da Operação Espelho, da Polícia judiciária, lançada ontem, de combate ao tráfico de seres humanos no Alentejo.

Em comunicado, enviado aos jornalistas ontem, a Polícia Judiciária dava conta de que a operação, no âmbito de dois inquéritos do DIAP de Évora, envolve “cerca de quatrocentos e oitenta operacionais, em várias cidades e freguesias da região do Baixo Alentejo”, e que foram cumpridos “setenta e oito Mandados de Busca domiciliária e não domiciliária”.



Os elementos da rede de tráfico humano, que hoje ficarão a conhecer as medidas de coação, são “de nacionalidade portuguesa e estrangeira” e “encontram-se fortemente indiciados pela prática de crimes de associação criminosa, de tráfico de pessoas, de auxílio à imigração ilegal, de angariação de mão-se-obra ilegal, de extorsão, de branqueamento de capitais, fraude fiscal, ofensas à integridade física, posse de arma de fogo e falsificação de documentos”.

Nas diligências efetuadas, a PJ procedeu à detenção de “28 homens e mulheres”, segundo dava conta o mesmo comunicado. As dezenas de buscas foram principalmente focadas nas zonas de Évora, Cuba, Faro do Alentejo e Alfundão.

“Os suspeitos integram uma estrutura criminosa dedicada à exploração do trabalho de cidadãos imigrantes, na sua maioria, aliciados nos seus países de origem, tais como, Roménia, Moldávia, Ucrânia, Índia, Senegal, Paquistão, entre outros, para virem trabalhar em explorações agrícolas naquela região do nosso país”, explica a PJ.

Alguns dos trabalhadores marroquinos e de outras nacionalidades, contaram aos jornalistas que eram explorados e viviam em condições desumanas, em condição de semiescravidão, a trabalhar em explorações agrícolas.

Um trabalhador relatou que os elementos da rede o deixavam “sem comida e sem dinheiro”, e que era obrigado a entregar os rendimentos do trabalho aos captores para supostamente pagar alojamento e alimentação. Os trabalhadores encontravam-se em situação ilegal, após terem sido aliciados nos países de origem com melhores condições de vida e um trabalho em Portugal. Segundo a PJ, foram identificadas “dezenas de vítimas”.

O esquema era em tudo semelhante a outros já desmantelados pelas autoridades, como o caso ocorrido há um ano, também no Alentejo, em Beja e Cuba, que fez 35 detidos que pertenciam a uma rede de tráfico de seres humanos.

Foram também confiscados bens e veículos aos elementos da rede. “Esta operação contou com a colaboração da Segurança Social no encaminhamento das vítimas, com necessidades de apoio social imediato, e com o apoio logístico da Força Aérea Portuguesa”, sublinha a PJ.

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