Mal ouviu Nancy Pelosi, Donald Trump recorreu ao Twitter para declarar que, se é para ser votada a destituição, quanto mais depressa melhor, mas alerta que o inquérito vai estabelecer um precedente perigoso para futuros presidentes.
“Os democratas da esquerda radical acabam de anunciar que vão tentar destituir-me por nada. Eles já desistiram das acusações ridículas de Mueller, então agora penduram os chapéus em duas ligações telefónicas totalmente perfeitas com o presidente ucraniano …”, refere Trump.
O presidente escreve ainda que o ‘impeachment’ “será usado rotineiramente para atacar futuros presidentes” – o que, sublinha, não é “o que nossos fundadores tinham em mente”.
Trump salienta, no entanto, que existe um lado bom nesta decisão, que é mostrar que “os Republicanos nunca estiveram tão unidos”, e que irá sair vencedor de todo este processo. “Vamos vencer!”, afirma.
….This will mean that the beyond important and seldom used act of Impeachment will be used routinely to attack future Presidents. That is not what our Founders had in mind. The good thing is that the Republicans have NEVER been more united. We will win!
Continue a ler após a publicidade— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) December 5, 2019
A conselheira do Presidente dos Estados Unidos, Kellyanne Conway, também já veio afirmar que a Casa Branca está «bastante preparada» para a votação no Senado dos artigos com vista à destituição de Donald Trump, avança o “CNN”.
Há poucos minutos, a presidente da Câmara dos Representes, anunciou que o processo de impeachment poderá avançar ainda antes do Natal, de acordo com o “The New York Times”. Ao fim de dois meses de investigação, Nancy Pelosi não tem dúvidas de que o chefe de Estado norte-americano procurou obter ganhos políticos para a sua recandidatura presidencial em 2020, abusando do exercício do seu cargo na Casa Branca.
“A nossa democracia está em jogo, o presidente não nos deixa outra opção a não ser agir”, afirmou Pelosi, acrescentando que “as ações do presidente violaram seriamente a constituição”. “Com tristeza, mas também com confiança e humildade, em lealdade aos nossos fundadores e com o coração cheio de amor pela América, hoje [quinta-feira] vou pedir ao presidente da comissão para avançar com os artigos de destituição”, anunciou.
Em causa está um telefonema, em Julho passado, entre Trump e o Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenskii, a quem o republicano terá pedido ajuda para prejudicar Joe Biden, que foi vice-presidente na Administração de Obama e é um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020. Esta conversa deu início a um processo de impugnação de Donald Trump, anunciado a 24 de Setembro pela presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.
Caso o Congresso aprove a destituição, a fase seguinte é um julgamento no Senado, onde os republicanos detêm a maioria. Mas o «impeachment» só resultará na saída de Trump do cargo se for votado favoravelmente por dois terços dos senadores que, até ao momento, têm mantido apoio ao Presidente norte-americano.
Recorde-se que esta é a quarta vez em 230 anos que o Congresso chega perto de acusar e julgar um Presidente dos Estados Unidos. Até agora, só três presidentes americanos haviam sido alvo de impeachment: Andrew Johnson em 1868, por ter destituído o secretário da Guerra à revelia do Senado; Richard Nixon em 1974, por espionagem; e Bill Clinton em 1999, por ter mentido sobre a relação sexual com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Johnson e Clinton acabaram ilibados e Nixon demitiu-se antes mesmo do início do processo.














