O grupo de media alemão Axel Springer, que inclui, entre outros, títulos como o Welt ou o Bild, está debaixo de fogo após ter despedido um funcionário que questionou o porque do conglomerado de comunicação social apoiar unilateralmente Israel, perante os ataques a Gaza que têm morto milhares de civis palestinianos.
Em causa está, recorda o El Mundo, o facto de, nos contratos assinados pelos jornalistas e funcionários da empresa, constarem uma série de cláusulas, admitidas pelo Axel Springer, que obrigam todos os colaboradores do grupo a seguirem uma linha editorial de defesa da “liberdade e do Estado de direito, a democracia e uma Europa unida”, apoiar “o povo judeu e o direito à existência do Estado de Israel”, advogar uma “aliança transatlântica entre EUA e Europa”, ou rejeitar “o extremismo político, religioso e todas as formas de racismo e discriminação sexual.
Kasem Raad, de 20 anos, libanês e recentemente contratado pela Welt TV, conta que foi enviado pela equipa editorial um artigo para todos os colaboradores com o título “Estamos do lado de Israel”. Com algumas dúvidas, enviou uma mensagem ao responsável pela intranet do grupo a perguntar o porquê desta defesa.
Sem respostas, voltou a colocar a pergunta no sistema interno: “Não leste o teu contrato?”, lia-se na réplica.
O jovem jornalista acabou chamado pela administração do grupo e repreendido mas manteve a mesma atitude de questionamento, alegando que acredita “firmemente no diálogo aberto e na procura de respostas, especialmente num momento em que muitas pessoas não têm conhecimento sobre as questões sociais atuais”.
O jovem fez depois um vídeo a questionar a decapitação de bebés por parte do Hamas, que na altura nem as Forças de Defesa de Israel conseguiram confirmar e, a 20 de outubro, foi convocado para uma reunião em que acabou despedido da Axel Springer.
“É uma situação realmente irónica. Um dos princípios fundamentais do grupo Axel Springer é a liberdade, a democracia e a rejeição do extremismo político e religioso, mas no meu caso foi ignorado, priorizando-se o apoio a Israel”, denuncia o jovem jornalista libanês.







