Agência Europeia do Ambiente avisa europeus que tem de haver mudanças, seja no modo como vivem ou nos padrões de consumo.
As doenças e as mortes causadas pela poluição ambiental já são três vezes superiores às motivadas pela “SIDA, tuberculose e malária em conjunto”, avisa relatório feito de cinco em cinco anos pela Agência Europeia do Ambiente sobre o estado do ambiente no Continente.
No relatório pode ler-se que a Europa “enfrenta desafios ambientais de uma escala e urgência sem precedentes”, não estando a responder como devia, é por isso necessário mudar os padrões de consumo e modos de vida.
A Europa “continua a consumir mais recursos e a contribuir mais para a degradação ambiental do que muitas outras regiões do mundo” e “para atingir estes níveis elevados de consumo depende de recursos extraídos ou utilizados noutras partes do mundo”, com impactos ambientais que se sentem longe. Houve mudanças positivas, mas o relatório afirma que “as tendências mais recentes são menos positivas”.
Por exemplo, “a procura final de energia aumentou desde 2014 e, se essa tendência se mantiver, o objectivo da União Europeia para 2020 em termos de eficiência energética poderá não ser cumprido”. Em paralelo, subiram as emissões nocivas dos transportes e da agricultura “e a produção e o consumo de produtos químicos perigosos mantiveram-se estáveis”.
“A Europa enfrenta problemas persistentes em domínios como a perda da biodiversidade, a utilização de recursos, o impacto das alterações climáticas e os riscos ambientais que afectam a saúde e o bem-estar”.
Contas feitas, a Agência Europeia do Ambiente refere que a exposição a partículas finas é responsável por cerca de 400 mil mortes prematuras todos os anos na Europa.
Europa do Sul arrisca-se ao pior cenário
Se os piores cenários se confirmarem no aquecimento global, a Europa do Sul (onde se inclui Portugal) arrisca-se a ser uma das regiões onde a mortalidade mais pode aumentar.
As pressões ambientais já “estão a infligir enormes danos à saúde e ao bem-estar humanos”, “tanto directa como indirectamente”, continua o documento.
“O peso global da doença e da morte prematura relacionada com a poluição ambiental é já três vezes superior ao da SIDA, tuberculose e malária em conjunto”, mas “a continuação desta grande aceleração pode criar ameaças ainda mais extensas se as pressões precipitarem o colapso de ecossistemas como o Ártico, os recifes de corais e a floresta amazónica”.
“Existem problemas persistentes em algumas áreas e as perspectivas são preocupantes”, sendo dado o exemplo de “que, embora as emissões de poluentes atmosféricos tenham diminuído, quase 20% da população urbana da União Europeia vive em zonas com concentrações de poluentes atmosféricos superiores a pelo menos um dos padrões de qualidade do ar”.











