A ofensiva turca contra a milícia curdo síria, as YPGs, consideradas terroristas para Ancara, mas apoiadas pelos ocidentais na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico, causaram uma mudança demográfica que muitos temem que se torne permanente.
De acordo com o “The Independent”, vídeos divulgados online por soldados do exército sírio, apoiados pelos turcos, mostram crimes brutais, entre os quais o assassinato da política curda Havrin Khalaf, e estão a aterrorizar vários cristãos sírios em fuga.
«Vimos os vídeos. Ninguém pode voltar para lá agora, é impossível», diz um curdo que fugiu com a família de Ras al-Ayn nos primeiros dias da operação liderada pelos turcos. E a história repete-se com outros fugitivos, temporariamente alojados em abrigos. «Os nossos vizinhos árabes mandaram-nos fugir. Disseram-nos: ‘Quando eles vierem, vão matar-te’», lembrou.
«A Turquia quer controlar toda a área, expulsar os curdos e trazer os árabes para lá», denuncia ainda outro curdo.
Recorde-se que a Turquia iniciou, a 9 de Outubro, os ataques à Síria. Porém, depois de um acordo alcançado pelo vice-Presidente norte-americano Mike Pence, Ancara aceitou suspender a sua ofensiva durante cinco dias a 17 de Outubro. O acordo previa a criação de uma «zona de segurança» de 32 quilómetros de distância da fronteira. «Ao final de um período de 120 horas, os Estados Unidos anunciaram que a retirada das YPG da zona foi alcançada», precisava o ministério turco. Entretanto, os presidentes russo e turco, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, respectivamente, chegaram a um acordo para controlar a fronteira entre a Turquia e a Síria através de patrulhas conjuntas.







