Israel forma governo de emergência e “gabinete de gestão de guerra”

Além de Netanyahu e de Gantz, o gabinete será integrado também pelo atual ministro da Defesa Yoav Gallant, e dois outros altos funcionários que servirão como membros “observadores”

Executive Digest com Lusa

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o líder da oposição israelita, Benny Gantz, concordaram hoje formar um governo de unidade nacional de emergência e um gabinete de guerra, indica uma declaração oficial conjunta.

Gantz, antigo ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, divulgou o que disse ser uma declaração conjunta com Netanyahu, em que garante que os dois vão formar um “gabinete de gestão de guerra” com cinco membros.



Além de Netanyahu e de Gantz, o gabinete será integrado também pelo atual ministro da Defesa Yoav Gallant, e dois outros altos funcionários que servirão como membros “observadores”.

Segundo o acordo, o Governo não aprovará qualquer legislação ou decisão que não esteja relacionada com a guerra, enquanto os combates continuarem.

Por esclarecer ficou que papel caberá desempenhar aos atuais parceiros governamentais de Netanyahu, um conjunto de partidos de extrema-direita e ultraortodoxos, embora haja indicações que se limitarão a tratar dos assuntos correntes do Estado.

Outro dirigente da oposição israelita, Yair Lapid, foi convidado a integrar o novo Governo. No entanto, ainda não respondeu à proposta.

O acordo, que surge quatro dias após o lançamento de uma grande ofensiva do movimento islâmico palestiniano Hamas, vigorará durante o período de guerra, decretado sábado por Netanyahu, e foi alcançado numa reunião entre Netanyahu e o presidente do Partido da Unidade Nacional israelita, Benny Gantz.

Na isolada Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, os palestinianos debateram-se nos últimos dias para encontrar segurança enquanto os bombardeamentos israelitas destruíam bairros inteiros e a única central elétrica do território ficava sem combustível.

O acordo invulgar permite reunir um certo grau de unidade após anos de política amargamente dividida, numa altura em que os militares parecem cada vez mais propensos a lançar uma ofensiva terrestre em Gaza.

O governo israelita está sob intensa pressão pública para derrubar o Hamas, depois de milícias do movimento islâmico terem invadido a fronteira no sábado e matado a tiro centenas de israelitas nas suas casas, nas ruas e num festival de música ao ar livre.

O Hamas, que controla desde 2006 a Faixa de Gaza, lançou sábado um ataque surpresa contra o território israelita, sob o nome de operação “Tempestade al-Aqsa”, com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar.

Em resposta ao ataque surpresa, Israel bombardeou a partir do ar várias instalações em Gaza do movimento que é classificado como terrorista pela União Europeia (UE), Estados Unidos e Israel, numa operação denominada “Espadas de Ferro”.

Israel declarou guerra total e prometeu castigar o Hamas como nunca antes, tendo Netanyahu declarado estar “em guerra” com o grupo palestiniano.

O conflito provocou mais de 1.200 mortos do lado israelita e 1.055 em Gaza desde sábado, segundo dados atualizados hoje pelas duas partes.

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