Durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorreu em Lisboa no início de agosto, houve muitas vítimas de abuso sexual na Igreja Católica que “descompensaram”, e que tiveram aí um impulso de pedir ajuda e denunciar a situação, décadas depois, ao grupo VITA, segundo afirma a coordenadora da estrutura que, desde maio, procedeu à Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, na prestação de apoio às vítimas e como canal de denúncia de casos.
Desde maio, segundo indicou psicóloga Rute Agulhas, citada pelo Jornal de Notícias, foram recebidos 56 pedidos de ajuda, que ajudaram os responsáveis também a perceber que este tipo de crimes de abuso sexual tem “um impacto muito maior” devido ao contexto em que é praticado.
“O agressor, esta figura muito endeusada e divinal, ser alguém da Igreja parece ser um fator que agrava o impacto”, disse a responsável, numa ação de sensibilização online.
Rute Agulhas relatou o caso de uma mulher de 82 anos que “demorou 70 anos a quebrar o silêncio”, para demonstrar o problema dos sentimentos de culpa e vergonha que assolam as vítimas, bem como de desconfiança para com o sistema de justiça, que levam à resistência das vítimas em contar o que lhes aconteceu.
“Tivemos muitas vítimas a descompensar durante a Jornada Mundial da Juventude. Muitas delas pediram ajuda nessa altura porque tudo era Igreja de manhã à noite, e os estímulos associados ativam estas memórias”, explicou Rute Agulhas, recordando que, no período do maior evento da Igreja Católica, que trouce o papa Portugal, verificou-se um aumento no número de pedidos de ajuda que chegaram à linha de denúncias do grupo VITA.
Em muitos casos, devido a este bloqueio na denuncia dos crimes, estes já prescreveram, mas ainda assim o grupo Vita assinala que tem “encaminhado muitas situações para a Procuradoria-Geral da República com conhecimento da Polícia Judiciária para as entidades competentes definirem essa prescrição”.











