Os olhares do mundo estão hoje concentrados na Faixa de Gaza, talvez um dos lugares mais perigosos do planeta nas últimas horas: há já centenas de vítimas no conflito entre Israel e o grupo palestiniano Hamas, no que se prevê uma batalha que poderá ser sangrenta e duradora, naquele que é o capítulo mais recente de uma rivalidade que dura há 75 anos.
E o que é a Faixa de Gaza?
É um pequeno território localizado entre o norte de Israel e o sul do Egito, de frente para o Mar Mediterrâneo. Apesar do tamanho – 40 quilómetros de comprimento e 10 de largura -, alberga cerca de 2 milhões de pessoas e tem sido palco, ao longo da história, de contínuos ataques, conquistas e destruições, perpetrados por diversos povos, impérios ou dinastias.
Desde 1917, o território estava nas mãos dos britânicos, que concordaram com o povo turco que a maioria dos territórios árabes pertenceria ao Império Otomano – no entanto, a Conferência de Paz de Paris, em 1919, impediu a criação do prometido reino árabe unificado. Assim, a partir de 1920, a faixa fez parte do Mandato Britânico da Palestina, o que viria a durar até 1948.

No entanto, após o fim da II Guerra Mundial, os britânicos transferiram a decisão sobre o futuro da Palestina para a recém-criada Nações Unidas, que acordou o nascimento de Israel e moldou a distribuição atual: 55% do território seria para o povo judeu, enquanto o resto do território seria para os árabes.
Não demorou muito até ao primeiro conflito armado, o que fez com que centenas de milhares de refugiados se instalassem na Faixa de Gaza. Um ponto de viragem deu-se em 1967, quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias, na qual Israel derrotou a coligação árabe – formada pela República Árabe Unida (antigo nome de Egito e Síria), Jordânia e Iraque. Após o conflito, Israel ocupou a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém, o que motivou confrontos que perduram até hoje.
Até 1993, os ataques dos dois lados continuaram, até à assinatura dos Acordos de Oslo, que permitiu a criação de um autogoverno palestiniano interno, sendo que os poderes entre ambos os Governos tenham sido delimitados. Em 2007, o Movimento de Resistência Islâmica Hamas – considerado um grupo terrorista por Israel, Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e outras potências – venceu as eleições: desde então, os palestinianos passaram por três guerras, ataques frequentes e bloqueio permanente, com restrições de movimento, cortes de energia elétrica e escassez de água.














