9 de outubro de 1978: treze anos após o assassinato de Humberto Delgado, assim como da sua secretária Arajaryr Campos, em Badajoz, começou no 2º Tribunal Militar Territorial de Lisboa o julgamento da brigada da PIDE responsável pela eliminação de um dos maiores adversários de Salazar e do seu regime.
No banco dos réus, sentaram-se o antigo chefe da polícia política, Silva Pais, o o diretor de serviços Pereira de Carvalho e o inspetor Agostinho Tienza, sendo réus revéis o subdiretor-geral Barbieri Cardoso (fugido em Bruxelas), o inspetor Rosa Casaco (a monte no Brasil) e os agentes Ernesto Lopes Ramos (fugido para o Brasil) e Casimiro Monteiro (fugido para a África do Sul).
A decisão chegou a 8 de julho de 1982, depois de recursos interpostos para o Supremo Tribunal Militar. As penas foram excecionalmente leves, em especial para aqueles que, estando em Portugal, poderiam ter respondido pela planificação do golpe: Silva Pais morreu antes do julgamento, Pereira de Carvalho foi absolvido e Agostinho Tienza foi o único condenado a prisão, com uma sentença de 14 meses. Os demais, por estarem foragidos, nunca cumpriram as penas, a mais alta das quais de 19 anos de prisão.
De acordo com Frederico Rosa, neto e biógrafo do ‘general sem medo’, perante a Justiça, “o verdadeiro objetivo da ‘Operação Outono’ [nome de código da armadilha da PIDE] era apenas o rapto e prisão do general” e o seu homicídio, às mãos de Casimiro Monteiro, foi uma derrapagem aos planos estabelecidos. “Vivemos uma mentira sobre o assassinato desde 1981. Os juízes do Tribunal de Santa Clara conseguiram impregnar a opinião pública portuguesa no sentido de que Humberto Delgado teria sido morto a tiro mas isso é mentira”, disse Frederico Rosa.
O processo judicial inocentou a hierarquia superior da PIDE, com a exceção do autor material do crime, Casimiro Monteiro, sendo o biógrafo considerou que houve uma “distorção da verdade material do crime, porque Humberto Delgado não foi morto a tiro mas sim brutalmente espancado até à morte”.








