Lítio? “Grandes projetos que nos iam pôr na liderança acabaram com a CGD falida”

Teodora Cardoso pede transparência nos investimentos públicos e dá como exemplo – mau exemplo – o caso do negócio do lítio.

Executive Digest

Teodora Cardoso pede transparência nos investimentos públicos e dá como exemplo – mau exemplo – o caso do negócio do lítio. Em entrevista ao Negócios e Antena 1, a antiga presidente do Conselho das Finanças Públicas considera que “é preciso saber qual o risco que um negócio destes envolve e qual a sua racionalidade económica, para que mais tarde não sejam os contribuintes a pagar.”

“Já vimos ao longo do tempo ‘N’ casos de grandes projetos que nos iam pôr na liderança de qualquer coisa e que acabaram com a Caixa Geral de Depósitos falida”, diz Teodora Cardoso acrescentando que “não é num gabinete ministerial que se negoceia isto com um investidor qualquer. Tem de ser muito mais transparente e tem de ser público e o governo tem de se responsabilizar pelos resultados”.

A antiga presidente do Conselho das Finanças Públicas alerta: “No início nunca há risco, o Estado assume o risco, que não está no orçamento, mas quando os problemas se criarem lá estamos nós para pagar” e aponta o dedo ao governo “estas decisões tomadas assim e anunciadas assim são um mau sinal, não é assim que estas decisões se tomam. Depois não venham dizer, quando acontecerem os problemas que a culpa foi do governo anterior”, conclui.

Recorde-se que o secretário de Estado João Galamba afirmou no programa Prós e Contras da RTP, que o Governo foi obrigado a dar a concessão da exploração de lítio em Montalegre à Lusorecursos, acrescentando que aquela empresa tinha assinado um contrato, em 2012, com o Governo então liderado por Passos Coelho, que previa que, após o período de prospeção e pesquisa, pudesse requerer a concessão. Um negócio que tem estado envolto em polémica, levando vários grupos parlamentares a pedir uma audição urgente do secretário de Estado Adjunto e da Energia, na Assembleia da República.

O interesse pelo lítio português despertou em 2016, ano em que deram entrada 30 novos pedidos de prospeção e pesquisa deste metal, impulsionado pelo aumento da procura global devido à utilização nas baterias do automóvel elétrico. Desde então, várias associações ambientalistas, câmaras municipais e população já se pronunciaram contra a prospeção e exploração de lítio, com o Governo a defender, por outro lado, que aquele recurso é essencial para a transição energética.

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