Como vai ser o inverno na Europa? Efeitos do fenómeno ‘El Niño’ deixam meteorologistas à espera do pior

Fenómeno meteorológico ‘El Niño’ vai prolongar-se na Europa até, pelo menos, à primavera de 2024

Francisco Laranjeira

O fenómeno meteorológico ‘El Niño’ vai prolongar-se na Europa até, pelo menos, à primavera de 2024. Recorde-se que em julho último, o fenómeno foi oficialmente confirmado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) mas esta terça-feira a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) afirmou que existe até 95% de possibilidade de este continuar, em versão moderada a forte, até fevereiro – é provável, de acordo com o site ‘Euronews’, que os maiores efeitos deste fenómeno só se façam sentir em 2024.

Assim, o que esperar?



Os fenómenos ‘El Niño’ duram normalmente entre nove a 12 meses, mas podem persistir durante anos, atingindo o seu pico entre novembro e janeiro. Os especialistas preveem que se torne mais forte nos próximos meses e que termine na primavera do próximo ano.

No entanto, é difícil prever de que forma o ‘El Niño’ pode afetar o clima da Europa ao longo do ano. “Os anos de ‘El Niño’ têm tendência a ter um início de inverno (Nov-Dez) mais húmido e um fim de inverno (Jan-Mar) mais frio e seco na maior parte do Norte da Europa”, lembrou Adam Scaife, responsável pela previsão a longo prazo no Met Office do Reino Unido.

No sul da Europa, poderá haver geralmente condições mais húmidas, embora seja importante notar que é uma média de muitos casos do ‘El Niño’ e não forte o suficiente para determinar com certeza o resultado. “Em vez disso, o El Niño apenas altera a probabilidade a favor destes resultados.”

O ‘El Niño’ é apenas uma das várias influências nos padrões climáticos da Europa. “A precipitação tropical desencadeia ondas à escala planetária que afetam a Europa no inverno. Estas podem ter origem no Atlântico tropical, bem como no ‘El Niño’ no Pacífico”, sublinhou Scaife. Mas há outras influências meteorológicas que podem mesmo perturbar os padrões típicos do ‘El Niño’: a estratosfera – a segunda camada da atmosfera – também pode desempenhar um papel importante. De dois em dois anos, por exemplo, dá-se uma quebra dos ventos nesta camada atmosférica. É frequentemente seguida de uma vaga de frio, independentemente de o ‘El Niño’ estar ativo.

O que poderá acontecer em 2024?

Os efeitos do início do El ‘Niño’ tendem a atrasar-se alguns meses. “Há efeitos desfasados interessantes, por exemplo, na China, onde se esperam fortes chuvas de monção no verão e inundações após um grande ‘El Niño'”, explicou Scaife. Há também uma maior probabilidade de temperaturas “mais quentes do que o normal” no próximo ano.

A última vez que um El Niño forte esteve presente, em 2016, foi o ano mais quente de que há registo. Combinado com o aumento das temperaturas provocado pelo aquecimento global, os meteorologistas acreditam que, se as condições se conjugarem, 2024 poderá tornar-se o ano mais quente de que há registo, ultrapassando mesmo o limiar de aquecimento de 1,5ºC.

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