Quase metade do país em seca severa ou extrema: No Algarve as barragens estão 30% abaixo do ano passado

Ministro do Ambiente manifestou preocupações em conferência de imprensa.

Pedro Gonçalves

A seca em Portugal continua a agravar-se, em especial na região do Algarve. Está prevista alguma chuva nas próximas semanas mas não será suficiente para nos tirar “desta situação”, segundo referiu o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, esta sexta-feira.

O responsável falou no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, para analisar a situação decorrente da seca prolongada que Portugal atravessa, agravada pelas ondas de calor, e para definir novas medidas de mitigação.



Cordeiro destacou que praticamente a totalidade do país está em seca meteorológica, segundo dados do IPMA, com 48%, ou seja, quase metade, do território nacional, em seca severa ou extrema.

Dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) divulgados em 11 de agosto indicam que em 31 de julho 97% do território estava em seca meteorológica, do qual 34% em seca severa e extrema, especialmente no Alentejo e Algarve.

A situação é muito desigual entre regiões. “Quanto a água no solo, a situação melhorou, mas no Alentejo, e Algarve, mantém-se idêntico ao ano passado. As previsões do IPMA identificam que, nos próximos três meses, é provável que tenhamos um outono com temperaturas acima do normal e probabilidade de 40 a 50% de termos precipitação acima do normal”, disse o ministro.

Será “algum registo de precipitação nas próximas semanas em todo o País que ajudará, mas não nos tirará desta situação de seca”, avisa o ministro.

Segundo os dados da Associação Portuguesa do Ambiente (APA), de todas as albufeiras nacionais analisadas, “temos 72% de capacidade atualmente, o que se compara com 58% que tínhamos em agosto do ano passado e que compara com 57% que tínhamos em outubro”.

“Isto significa que estamos numa situação de arranque do ano hidrológico melhor do que no ano passado”, apontou Duarte Cordeiro, ressalvando mais uma vez que “a situação é assimétrica” em Portugal.

“No Algarve estamos numa situação pior do que no ano passado. O volume nas barragens do Algarve é de 30% abaixo do que se tinha no ano passado”, explicou

Face às medidas e restrições ao consumo que o Governo decidiu aplicar para combater a seca no Algarve, da meta de redução de 20% na utilização da água, “temos resultados de redução de 14% na água de uso agrícola no Sotavento, e conseguimos alargar a utilização de água reciclada a dois campos de golfe”.

“No conjunto do consumo, temos uma redução face ao ano passado de 5 hectómetros cúbicos”, apontou o ministro do Ambiente, fazendo um “elogio ao setor agrícola” por responder ao apelo e aplicar as medidas a adotar, e sublinhou que, no setor do consumo urbano, a redução é parca e o volume usado está em linha com o ano anterior.

“Apesar e não estarmos a agravar o consumo, era desejável a moderação no setor da hotelaria, serviços, e procurado todos adotar medidas de redução do consumo de água”, aconselhou Duarte Cordeiro.

O governante anunciou também algumas medidas para, neste ano e no próximo, se combater o problema da seca no Algarve: Avançar com um novo aquífero em Querença-Silves, redução de 15% no consumo do mesmo, monitorização de captações, atitude de fiscalização mais atenta e mobilização de 5 milhões de euros do Fundo Ambiental para a Barragem de Odelouca, “para garantir a capacidade de captação do volume da barragem”.

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