A Justiça espanhola solicitou esta segunda-feira a emissão de um mandado de captura internacional contra Carles Puigdemont, indicou a ‘CNN Portugal’: o Ministério Público espanhol pretende que o ex-presidente do Governo regional catalão seja julgado pela tentativa de secessão da Catalunha, em 2017.
A Justiça europeia retirou a imunidade a Puigdemont – os procuradores do Tribunal Supremo defenderam que “a retirada da imunidade pelo Parlamento Europeu foi confirmada em sentença proferida pelo Tribunal Geral da União Europeia (TGUE), pelo que tendo em conta a sua situação pessoal – fugitivo da Justiça e à revelia – convém emitir novamente mandados de detenção internacionais e europeus”.
O Ministério Público considerou que, embora Puigdemont tenha anunciado que vai recorrer da decisão do TGUE perante o Tribunal de Justiça da União Europeia, este recurso não tem efeitos suspensivos sobre a decisão que lhe retira a imunidade.
Carles Puigdemont tornou-se, no entanto, a chave para desvendar o impasse político que resultou das eleições legislativas realizadas em Espanha no passado domingo – o ex-líder do Governo regional, que vive em exílio em Bruxelas, na Bélgica, depois de ter liderado uma tentativa fracassada de separar a Catalunha da Espanha. Uma alternativa seria o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez conseguir um voto a favor, ou pelo menos uma abstenção, para formar Governo por parte do partido Junts de Puigdemont em troca de mais concessões de independência.
O político já reagiu, na rede social ‘Twitter’: “Um dia é-se decisivo para formar o Governo espanhol e no dia seguinte a Espanha ordena a sua prisão”, escreveu Puigdemont.
One day you are decisive in order to form a Spanish government, the next day Spain orders your arrest. https://t.co/7e33rCzd6S
— krls.eth / Carles Puigdemont (@KRLS) July 24, 2023
O Partido do Povo (PP), de centro-direita, e o VOX, de extrema-direita, conquistaram o maior número de assentos no Parlamento, com um total de 169 – aquém dos 176 assentos necessários para uma maioria.
O PSOE de Pedro Sánchez e de extrema-esquerda Sumar obtiveram 153 lugares mas têm maiores possibilidades de negociar o apoio de pequenos partidos separatistas bascos e catalães, como fizeram após as eleições de 2019.
Sánchez pode conquistar o partido separatista de esquerda Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), como fez para formar um Governo minoritário em 2020. Mas provavelmente também precisará do apoio dos Junts, mais radicais, que não apoiaram Sánchez nos últimos quatro anos.





