Nas últimas quatro semanas o plante registou quatro recordes relacionados com o clima, que deixa antever uma situação preocupante no que respeita ao avanço galopante das alterações climáticas e que, segundo especialistas, deixam o globo “pero do pior cenário possível”.
Para além dos recordes de temperatura máxima, com uma velocidade sem precedentes, seguiram-se aquecimento dos oceanos, derretimento dos calotes da Antártida, motivando alertas de cientistas que, ainda assim, avisam que há ainda tempo de agir e reverter pelo menos algumas consequências, ou pelo menos travar o seu avanço.
“Não tenho conhecimento de nenhum período similar, em que todas as partes do clima estivessem sob recordes ou anormalidades”, indica Thomas Smith, geógrafo e investigador da London School of Economics, à BBC.
Registado o dia mais quente de sempre a 3 de julho
Logo no início do mês, aconteceu o dia mais quente de sempre alguma vez registado por cientistas, com uma temperatura global média de 17,18, batendo o anterior recorde de 2016. O dia seguiu-se a outros em que a temperatura tinha estado acima de máximos, com recordes a serem batidos consecutivamente, de um dia para o outro.
Foram as primeiras vezes em que a temperatura média global ultrapassou os 17ºC, de acordo com o Copernicus, o serviço europeu de acompanhamento do clima. A Europa, especialmente a sul, a América do Norte e a China registaram temperaturas recorde, de 45º e até acima de 50ºC.
Mês de junho mais quente do que antes do período pré-industrial
Em junho, a média da temperatura global já tinha estado 1,47º acima do que era registado no período pré-industrial, altura a partir da qual a humanidade começou a emitir grande quantidade de gases de efeito de estufa.
Smith relata à BBC que é uma garantia que o planeta “não vai começar a arrefecer” espontaneamente.
Ondas de calor…no mar
Se agora falamos muito de ondas de calor em relação às temperaturas do ar, da mesma forma o aumento das temperaturas tem tido espelho nas águas dos mares.
A média global da temperatura dos oceanos quebrou recordes consecutivos em três meses: maio, junho e julho. E está tudo posicionado para que seja batido o recorde global de sempre, de 2016, de temperatura mais alta à superfície marinha alguma vez registada.
Daniela Schmidt, da Universidade de Bristol, destaca que é a subida das temperaturas nas águas do Atlântico Norte que mais está a preocupar os cientistas: “Nunca tínhamos registado uma onda de calor marinho dessa parte”.
Os efeitos podem ‘sufocar’ os mares, e depois a própria Terra, já que os ecossistemas marinhos produzem 50% do oxigênio de todo o mundo. “Quando o Atlântico está 5ºC mais quente do que o normal, os organismos precisam de mais 50% dos alimentas que precisariam para funcionar normalmente”, alerta.
Área de gelo da Antártida nunca esteve tão baixa
Os calotes polares da Antártida estão em valor recorde negativo: nunca houve nesta zona tão pouca área coberta por gelo, e já se perdeu um total equivalente a 10 vezes a área do Reino Unido só entre 1981 e 2010.
Caroline Holmes, investigadora do British Antarctic Survey, sustenta que a forma como tudo se relaciona com as alterações climáticas, clima regional e mudança de correntes oceânicas ainda está a ser estudado. Mas a velocidade é impressionante.
“Nunca tinha visto uma coisa assim em julho. [A área coberta de gelo] está 10% menor do que o recorde mais baixo anterior. Não percebemos realmente o ritmo das alterações climáticas”, lamenta a especialista, assinalando que se pode dizer que “já caímos no abismo, só não sabemos o que está no fundo”.
“Fomos apanhados de surpresa pela velocidade como que tudo está a acontecer. Este não é, definitivamente, o melhor cenário possível, em termos de aquecimento global. Está mais perto do pior cenário possível”, indica a investigadora, antecipando mais recordes climáticos globais no segundo semestre deste ano e inicio de 2024.







