Rússia pede aos fugitivos da Crimeia que usem corredor terrestre que foi bombardeado 22 vezes no último mês

Rússia aconselhou as pessoas que procuram partir rapidamente para utilizar estradas através de territórios ocupados pela Rússia na Ucrânia, o que acrescenta centenas de quilómetros às suas viagens e acrescenta o risco de serem apanhado no meio do conflito

Francisco Laranjeira

As autoridades russas na Crimeia recomendaram aos turistas e residentes para abandonar a península do Mar Negro, após o ataque à ponte de Kerch, utilizando para isso um corredor terrestre que foi bombardeado pelo menos 22 vezes em junho último – milhares de pessoas têm deixado a Crimeia desde segunda-feira, data do ataque à ponta que liga o território anexado à Rússia.

A Rússia aconselhou as pessoas que procuram partir rapidamente para utilizar estradas através de territórios ocupados pela Rússia na Ucrânia, o que acrescenta centenas de quilómetros às suas viagens e acrescenta o risco de serem apanhado no meio do conflito.



“Peço aos residentes e visitantes da península que se abstenham de viajar pela ponte da Crimeia e, com o objetivo de segurança, escolham uma rota alternativa por terra através das novas regiões”, referiu Sergei Aksyonov, responsável apoiado pelo Kremlin na Crimeia, referindo-se ao quatro regiões da Ucrânia anexadas pela Rússia – Donetsk e Luhansk, Kherson e Zaporizhia, que a Ucrânia prometeu recapturar na sua contraofensiva.

No entanto, segundo a ‘Verstka’, uma agência de notícias russa independente que foi fundada logo após o início do conflito, o corredor terrestre através das quatro regiões foi bombardeado pelo menos 22 vezes pelas forças armadas da Ucrânia nos últimos 30 dias. O bombardeamento foi mais frequente na cidade de Melitopol, na região de Zaporizhia, na cidade portuária de Berdyansk, na mesma região, e em Mariupol, na região leste de Donetsk.

Fugir aos bombardeamentos não é o único problema para quem escolher essa rota: diversos relatos apontam que, imediatamente após o posto de controlo na fronteira da região de Rostov, no sul da Rússia, e na região de Donetsk, na Ucrânia, “a internet desaparece completamente”.

“Os viajantes terão de passar diretamente por Mariupol, onde ‘cada segunda casa foi destruída’ e esta é uma ‘imagem não para crianças'”, denunciou a ‘Verstka’, que referiu ainda aos “altos preços dos combustíveis, má qualidade das estradas e postos de controlo, bem como um grande número de militares armados”.

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