Vladimir Putin está a tentar ganhar a lealdade das forças de segurança na Rússia para se manter no poder, indicou esta quarta-feira o jornal americano ‘The New York Times’, depois da insurreição levada a cabo pelo grupo paramilitar Wagner.
Recorde-se que o presidente russo permitiu, na sequência do motim, que os mercenários, assim como Evgeny Prigozhin, “fossem para a Bielorrússia”, tendo cobertos os membros das forças de segurança russas com elogios, destacando “a determinação e coragem” das tropas russas.
Não há evidências de que os envolvidos na rebelião ou associados de Prigozhin tenham sido presos, num contraste gritante com, por exemplo, as consequências da tentativa de golpe de 2016 na Turquia, quando o presidente Recep Tayyip Erdogan esvaziou as prisões do seu país para dar lugar a mais de 40 mil detidos.
“A aparente cautela foi mais uma indicação de que Putin, apesar da raiva impressionante que demonstrou pelo que chamou de ‘traição’ de Prigozhin, está à procura de uma caixa de ferramentas familiar para manter o poder”, indicou a publicação americana.
Mais precisamente, Putin está a aumentar os salários de soldados e membros das forças policiais, tendo prometido fornecer mais armamento para um dos líderes mais dedicados de um dos serviços de segurança russos – Viktor Zolotov, chefe da Guarda Nacional da Rússia.
No entanto, os analistas apontaram que o novo ‘tom’ de Putin sobre a maior lealdade pode afetar a eficácia russa no campo de batalha: “Se se mantiver o princípio da lealdade como mais importante do que a eficácia, então deixa de haver os riscos associados ao motim. Mas também não haverá esperança de um funcionamento mais eficaz do sistema.”







