O polícia acusado pelo homicídio de Nael, em Nanterre, nos subúrbios de Paris, já viu serem doados perto de 1,5 milhões de euros – o GoFundMe recusou-se a fechar a arrecadação de fundos criada por Jean Messiha, antigo assessor da política de Marine le Pen, principal rosto da extrema-direita em França. Já a angariação dedicada à família de Nahel arrecadou cerca de 350 mil euros.
Nahel, de apenas 17 anos, foi baleado à queima-roupa há uma semana, enquanto conduzia um veículo em Nanterre – o incidente gerou dias de tumultos nas principais cidades francesas.
“Atualmente, esta arrecadação de fundos está dentro dos termos, pois a página afirma que os fundos vão apoiar a família em questão”, sublinhou um porta-voz do GoFundMe, em comunicado, citado pela ‘Euronews’. “Foram adicionados como beneficiários, o dinheiro vai fluir diretamente para eles”, acrescentaram. Os termos e condições do GoFundMe proíbem “a defesa legal de supostos crimes financeiros e violentos” e discurso de ódio.
A primeira-ministra francesa, Élisabeth Borne, expressou reservas sobre a arrecadação de fundos, mas disse que o Governo francês não vai intervir. “O facto de ter sido alguém próximo da extrema-direita que lançou esta campanha de angariação de fundos não contribui, sem dúvida, para o apaziguamento”, sublinhou a primeira-ministra, acrescentando que caberia aos tribunais pronunciar-se “se necessário” sobre a legalidade deste fundo.
Olivier Faure, chefe do Partido Socialista, apelou ao GoFundMe para fechar a angariação de fundos, acusando a plataforma de “hospedar um pote de vergonha”.
Segundo a associação patronal francesa Medef, os distúrbios já provocaram danos avaliados em cerca de mil milhões de euros: 200 estabelecimentos comerciais foram totalmente pilhados e 300 agências bancárias ficaram destruídas, assim como 250 quiosques de rua.
A Medef não incluiu ainda a previsão do eventual impacto dos incidentes na imagem da França relativamente ao turismo.






