Incêndios. Um grau a mais de temperatura média global aumenta em 222% a área ardida , aponta estudo

Califórnia, nos Estados, viu arder em média 361 km² por ano entre 1971 e 1995. Desde 1996, a área anual queimada quintuplicou, para 1.710 km² anuais, denunciaram cientistas

Francisco Laranjeira

A Califórnia, nos Estados, viu arder em média 361 km² por ano entre 1971 e 1995. Desde 1996, a área anual queimada quintuplicou, para 1.710 km² anuais. As mudanças climáticas desempenharam um papel essencial neste aumento: por cada grau a mais no termómetro, maior a área ardida, de acordo com um estudo publicado na revista científica ‘PNAS’.

Em quase todo o planeta, a taxa de evapotranspiração ou aridez – a humidade que o solo perde – está a aumentar e os cientistas fizeram medições na região norte da Califórnia e da Sierra Nevada. O trabalho científico relacionou os hectares queimados entre 1971 e 2021 com uma série de fatores: alguns são climáticos ou meteorológicos, como temperatura ou precipitação. Outros são ambientais ou astronómicos, como emissões causadas por erupções vulcânicas ou variações de radiação devido ao ciclo solar. Mas na equação foi incluída a acumulação de gases com efeito de estufa.



“As emissões humanas são conhecidas, por isso basta removê-las da simulação para saber como seria a evolução natural”” sustentou Marco Turco, investigador italiano da Universidade de Múrcia e coautor do trabalho publicado no ‘PNAS’. “Vimos que apenas simulações que incluem emissões antrópicas explicam o aumento da massa queimada”, referiu. De acordo com o estudo, quase 98% da variação das áreas ardidadas teria sido devido a fatores climáticos. Desde 1971, a temperatura média subiu 0,8º e a área queimada quase quintuplicou a cada ano.

“Vimos que a relação fogo-tempo é exponencial e simplesmente com um aumento de um grau na temperatura máxima mensal há um aumento de 222% na área queimada”, acrescentou.

Segundo os resultados do estudo, se a temperatura continuar a subir, a área queimada continuará a crescer: “O modelo, digamos o mais otimista, dá um aumento de 40% na área queimada em relação ao clima atual. Com dois graus esse aumento seria de 60% e se formos para três graus seria um aumento de 97%”, referiu o especialista.

“Muitos dos mesmos ingredientes que favorecem os incêndios florestais em partes florestais da Califórnia são aplicáveis ​​a outros países com clima mediterrâneo”, referiu John Abatzogloub, chefe do laboratório de climatologia da Universidade da Califórnia e coautor do artigo.

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