Documentos colocam em causa a segurança do submersível Titan: termo de responsabilidade para os passageiros “menciona a morte três vezes diferentes”

De acordo com o ‘New York Times’, vários líderes da indústria das embarcações submersíveis alertaram, em 2018, Stockon Rush, fundador da OceanGate, sobre possíveis problemas “catastróficos” com o desenvolvimento do Titan

Francisco Laranjeira

A expedição do Titan era extremamente arriscada, segundo alertaram diversos especialistas do setor e ex-passageiros, relatado pelo jornal britânico ‘The Guardian’, que colocaram em questão se foram cumpridas todas as medidas de segurança.

“Assina-se um termo de responsabilidade antes de embarcar que menciona a morte três vezes diferentes”, indicou Mike Reiss, que viajou no submersível em 2022. “Eles estão a aprender à medida que avançam. As coisas dão errado. Já fiz três mergulhos diferentes com esta empresa e perde-se a comunicação quase sempre”, lembrou.



De acordo com o ‘New York Times’, vários líderes da indústria das embarcações submersíveis alertaram, em 2018, Stockon Rush, fundador da OceanGate, sobre possíveis problemas “catastróficos” com o desenvolvimento do Titan.

A ‘Marine Technology Society’ sublinhou a “preocupação com o desenvolvimento do Titan e as planeadas expedições ao ‘Titanic'” e alertou contra a “atual abordagem experimental adotada pela OceanGate” – recomendou ainda que o Titan fosse certificado pela DNV, sociedade de classificação líder mundial para a indústria marítima, para examinar se “as regras reconhecidas internacionalmente” foram seguidas, assim como diversas inspeções durante a fase de construção e operação.

Em 2019, a OceanGate rejeitou as inspeções. “Trazer uma entidade externa a par de todas as inovações antes de colocá-las em testes no mundo real é um anátema para a inovação rápida.”

David Lochridge, ex-diretor de operações marítimas da OceanGate, colocou em questão a capacidade do casco do submarino em suportar tais pressões de quase 4 mil metros (13.100 pés) abaixo do nível do mar – o antigo responsável foi demitido depois de levantar preocupações de segurança sobre a embarcação. Os dois lados resolveram o processo judicial em novembro de 2018.

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