A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, vai reunir-se esta quarta-feira com “agricultores, autarcas, comissões de coordenação e investigadores da área” e defender a necessidade de “condicionar o uso da água” na agricultura, seja por “cultura ou hectare”, para atingir um uso eficiente da mesma e assim combater a seca no país.
A situação de seca em Portugal “é muito preocupante”, assumiu Maria do Céu Antunes, que lembrou que atravessámos o abril mais quente de sempre. “Em relação à seca, a situação é muito preocupante, mas hoje estamos muito mais bem preparados do que estaríamos no ano passado, há dois anos ou há três anos em relação a esta matéria. Nós sabemos bem que as secas são cíclicas. Vivemos o abril mais quente de sempre, com três ondas de calor, com temperaturas médias e máximas acima do normal. Hoje a quantidade de água no solo é muito baixa”, explicou.
A solução passa por soluções alternativas: para a responsável pela pasta da Agricultura, o tratamento de águas residuais e a dessalinização são algumas das medidas para fazer face à situação de seca que afeta o território continental.
“Nós precisamos de garantir disponibilidade. Temos de o fazer a partir de novas origens, sejam águas residuais tratadas ou da própria dessalinização, onde já existem projetos a serem desenvolvidos. Há também um conjunto de medidas que não diria estruturais, mas que são neste momento conjunturais que os agricultores hoje, por estarmos numa situação de força maior, já podem acionar, como por exemplo, as terras que estão em pousio ou culturas que não se desenvolveram suficientemente poderem ser pastoreadas”, relatou.
A reunião desta quarta-feira visa arranjar soluções. “O que sabemos é que têm de haver padrões de consumo que sejam balizados para nos permitirmos a ter mais culturas”, adiantou, salientando que a dimensão do armazenamento é uma das preocupações do Governo, que propõe um estímulo à criação de charcas, assim como a dessalinização e o tratamento de águas residuais. É preciso avançar “de forma rápida”.
“Temos disponíveis fundos e temos inclusivamente um pedido junto do Banco Europeu de Investimento (BEI) para uma verba que não vamos utilizar neste período”, explicou, porque o Governo quer acelerar e financiar obras “ainda no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (PDR2020)”.
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