“Agora influenciam mais do que nunca”: Rússia transformou a OPEP e o mapa mundial do petróleo

Países da OPEP+ juntos produzem cerca de 60% de todo o petróleo mundial, pouco mais de 48 milhões de barris por dia. De acordo com a EIA, “agora, mais do que nunca, eles influenciam os equilíbrios do mercado mundial de petróleo bruto e os preços do petróleo”

Francisco Laranjeira

“Em 2016, em grande parte em resposta ao declínio acentuado nos preços do petróleo, alimentado por aumentos significativos na produção de petróleo de xisto pelos Estados Unidos, a OPEP assinou um acordo com 10 outros países produtores de petróleo para criar o que agora é chamado de OPEP+. Entre esses 10 países estava o terceiro maior produtor de petróleo do mundo em 2022, a Rússia, que produziu 13% do total mundial (10,3 milhões de barris por dia [mbd])”, revelou a Energy Information Administration (EIA).

A partir dessa data, a Rússia transformou a OPEP e o mapa mundial do petróleo.



A união da OPEP com Moscovo, de acordo com o jornal espanhol ‘El Economista’, foi uma mudança importante: a produção de petróleo russo manteve-se, em 2022, acima dos 10 mbd em 2022, apesar das sanções ocidentais em resposta à invasão à Ucrânia. Mesmo as exportações do Kremlin mostram grande força, apesar dos obstáculos do Ocidente.

A OPEP produziu, no ano passado, cerca de 32,2 milhões de barris por dia de petróleo bruto, o que representou 40% da produção mundial total. O maior produtor – e membro mais influente da OPEP – foi a Arábia Saudita, o segundo maior produtor de petróleo do mundo em 2022, apenas atrás dos Estados Unidos.

No entanto, o crescimento para a OPEP+ deixou Moscovo e Riade a controlar esse grande cartel, uma vez que os dois países ‘bombeiam’ quase 50% desse ‘macro-cartel’. “A produção de petróleo da Rússia e o seu efeito no mercado é significativamente maior do que a de outros países da OPEP+, como o México e o Cazaquistão. Assim, as ações e medidas da OPEP+ são em grande parte impulsionadas pela coordenação entre a OPEP e a Rússia”, frisou a EIA.

Os países da OPEP+ juntos produzem cerca de 60% de todo o petróleo mundial, pouco mais de 48 milhões de barris por dia. De acordo com a EIA, “agora, mais do que nunca, eles influenciam os equilíbrios do mercado mundial de petróleo bruto e os preços do petróleo”.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 com o objetivo de exercer algum controlo sobre a produção global de petróleo e, portanto, sobre os respetivos preços. Os países signatários do acordo inicial foram o Iraque, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela.

Embora o cartel tenha sofrido várias expansões, foi somente em 2016 que passou pela sua grande transformação… e por necessidade: a irrupção do fracking e do shale oil norte-americano obrigou a OPEP a buscar grandes aliados para exercer maior controlo sobre a oferta de petróleo.

“O objetivo declarado da OPEP é coordenar e unificar as políticas de petróleo entre os países membros para garantir preços para os produtores, abastecimento para os consumidores e retorno sobre o capital para os investidores. No entanto, as suas ações são mais conhecidas pelo seu efeito sobre os preços mundiais do petróleo”, relatou o Departamento de Energia dos Estados Unidos.

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