“Em 2016, em grande parte em resposta ao declínio acentuado nos preços do petróleo, alimentado por aumentos significativos na produção de petróleo de xisto pelos Estados Unidos, a OPEP assinou um acordo com 10 outros países produtores de petróleo para criar o que agora é chamado de OPEP+. Entre esses 10 países estava o terceiro maior produtor de petróleo do mundo em 2022, a Rússia, que produziu 13% do total mundial (10,3 milhões de barris por dia [mbd])”, revelou a Energy Information Administration (EIA).
A partir dessa data, a Rússia transformou a OPEP e o mapa mundial do petróleo.
A união da OPEP com Moscovo, de acordo com o jornal espanhol ‘El Economista’, foi uma mudança importante: a produção de petróleo russo manteve-se, em 2022, acima dos 10 mbd em 2022, apesar das sanções ocidentais em resposta à invasão à Ucrânia. Mesmo as exportações do Kremlin mostram grande força, apesar dos obstáculos do Ocidente.
A OPEP produziu, no ano passado, cerca de 32,2 milhões de barris por dia de petróleo bruto, o que representou 40% da produção mundial total. O maior produtor – e membro mais influente da OPEP – foi a Arábia Saudita, o segundo maior produtor de petróleo do mundo em 2022, apenas atrás dos Estados Unidos.
No entanto, o crescimento para a OPEP+ deixou Moscovo e Riade a controlar esse grande cartel, uma vez que os dois países ‘bombeiam’ quase 50% desse ‘macro-cartel’. “A produção de petróleo da Rússia e o seu efeito no mercado é significativamente maior do que a de outros países da OPEP+, como o México e o Cazaquistão. Assim, as ações e medidas da OPEP+ são em grande parte impulsionadas pela coordenação entre a OPEP e a Rússia”, frisou a EIA.
Os países da OPEP+ juntos produzem cerca de 60% de todo o petróleo mundial, pouco mais de 48 milhões de barris por dia. De acordo com a EIA, “agora, mais do que nunca, eles influenciam os equilíbrios do mercado mundial de petróleo bruto e os preços do petróleo”.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 com o objetivo de exercer algum controlo sobre a produção global de petróleo e, portanto, sobre os respetivos preços. Os países signatários do acordo inicial foram o Iraque, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela.
Embora o cartel tenha sofrido várias expansões, foi somente em 2016 que passou pela sua grande transformação… e por necessidade: a irrupção do fracking e do shale oil norte-americano obrigou a OPEP a buscar grandes aliados para exercer maior controlo sobre a oferta de petróleo.
“O objetivo declarado da OPEP é coordenar e unificar as políticas de petróleo entre os países membros para garantir preços para os produtores, abastecimento para os consumidores e retorno sobre o capital para os investidores. No entanto, as suas ações são mais conhecidas pelo seu efeito sobre os preços mundiais do petróleo”, relatou o Departamento de Energia dos Estados Unidos.







