Mensagens revelam que assessores de Bolsonaro planearam golpe de Estado em dezembro

Em causa estaria uma tentativa de, a 15 dias do fim do mandato de Bolsonaro como Presidente, e já tendo perdido as eleições dois meses antes, impedir que Lula da Silva lhe sucedesse.

Pedro Gonçalves

Uma série de mensagens de áudio, encontradas pela Polícia Federal do Brasil, no telemóvel do ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, – que foi detido na quarta-feira-, revelam que este e outro assessor do ex-presidente brasileiro prepararam um golpe de Estado que deveria ter ocorrido em dezembro.

Em causa estaria uma tentativa de, a 15 dias do fim do mandato de Bolsonaro como Presidente, e já tendo perdido as eleições dois meses antes, impedir que Lula da Silva lhe sucedesse.



De acordo com o plano revelado pelas mensagens, a que a CNN Brasil teve acesso, e trocadas entre Mauro Cid e o ex-major do Exército Ailton Barros, é descrito que estava previsto que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o  juiz Alexandre de Moraes, fosse preso.

O plano previa a participação do então comandante do Exército Freire Gomes e do próprio Jair Bolsonaro.

“É o seguinte, entre hoje e amanhã, sexta-feira, tem que continuar pressionando o Freire Gomes [então comandante do Exército] para que ele faça o que tem que fazer”, lê-se na transcrição dos áudios enviados por Ailton Barros a Mauro Cid a 15 de dezembro do ano passado.

Dois dias depois do posicionamento do comandante do Exército, a 18 de dezembro, estaria estabelecido que seria preso o juiz Alexandre de Moraes, que preside o organismo que confirmou o resultados das presidenciais brasileiras, sob acusações de ter participado num alegado esquema para que Lula da Silva fosse eleito.

A 19 de dezembro o plano detalha que Bolsonaro declararia o estado de exceção no Brasil, para poder promulgar os decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), passando o comando do país para as Forças Armadas, das quais o Presidente é o comandante supremo.

Ainda não são claros os motivos pelos quais o plano de golpe de Estado não avançou, mas estará relacionado com a resistência da alta cúpula militar em associar-se ao ataque, e de Bolsonaro, que se isolou após ter sido derrotado por Lula da Silva, em outubro.

 

 

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