Uma série de mensagens de áudio, encontradas pela Polícia Federal do Brasil, no telemóvel do ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, – que foi detido na quarta-feira-, revelam que este e outro assessor do ex-presidente brasileiro prepararam um golpe de Estado que deveria ter ocorrido em dezembro.
Em causa estaria uma tentativa de, a 15 dias do fim do mandato de Bolsonaro como Presidente, e já tendo perdido as eleições dois meses antes, impedir que Lula da Silva lhe sucedesse.
De acordo com o plano revelado pelas mensagens, a que a CNN Brasil teve acesso, e trocadas entre Mauro Cid e o ex-major do Exército Ailton Barros, é descrito que estava previsto que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o juiz Alexandre de Moraes, fosse preso.
O plano previa a participação do então comandante do Exército Freire Gomes e do próprio Jair Bolsonaro.
“É o seguinte, entre hoje e amanhã, sexta-feira, tem que continuar pressionando o Freire Gomes [então comandante do Exército] para que ele faça o que tem que fazer”, lê-se na transcrição dos áudios enviados por Ailton Barros a Mauro Cid a 15 de dezembro do ano passado.
Dois dias depois do posicionamento do comandante do Exército, a 18 de dezembro, estaria estabelecido que seria preso o juiz Alexandre de Moraes, que preside o organismo que confirmou o resultados das presidenciais brasileiras, sob acusações de ter participado num alegado esquema para que Lula da Silva fosse eleito.
A 19 de dezembro o plano detalha que Bolsonaro declararia o estado de exceção no Brasil, para poder promulgar os decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), passando o comando do país para as Forças Armadas, das quais o Presidente é o comandante supremo.
Ainda não são claros os motivos pelos quais o plano de golpe de Estado não avançou, mas estará relacionado com a resistência da alta cúpula militar em associar-se ao ataque, e de Bolsonaro, que se isolou após ter sido derrotado por Lula da Silva, em outubro.




