Depois de dois meses de greve, em que os funcionários judiciais compareciam ao trabalho mas recusavam desempenhar algumas funções que não fossem consideradas urgentes, termina esta sexta-feira, às 23h59, uma nova ronda de 10 dias de greve ‘clássica’, convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
“Vamos ver qual foi o impacto na justiça, e a culpa tem de ser atribuída à senhora ministra da Justiça, e quiçá ao ministro das Finanças, uma vez que eles empurram uns para os outros o motivo de não querem resolver as questões que toda a gente considera como justas e razoáveis”, explicou à Executive Digest António Marçal, dirigente do SFJ, antes do protesto ter iniciado.
As reivindicações são claras: o pagamento do suplemento salarial a que têm direito 14 vezes por ano, em vez das atuais 11, e o descongelamento das promoções, que o SFJ admite que possa ser faseado.
Os avanços, explicou na altura, têm sido nulos: “Dizem que é para ser feito no âmbito do estatuto, o que é uma mentira que já não pega, até porque em relação ao suplemento, o Supremo mandou pagar retroativos a atualização do suplemento dos juízes, com efeitos a janeiro de 2022, o que quer dizer, no nosso caso é apenas teimosia, e mais uma mostra de prepotência e arrogância do Governo para connosco”, defende António Marçal.
A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, acusou o sindicato de “teimosia” em manter as greves, e a estrutura devolve as acusações: “Teimosa e incompetente é a senhora ministra, que desconhece a realidade e está a contribuir para a degradação dos serviços de justiça”, sustenta o SFJ.
Sem que as reivindicações sejam atendidas, o SFJ admite que as greves possam durar mesmo até ao final do ano.
“O que aprovámos no dia 31 de março, no Conselho Nacional, é que esta jornada de luta irá até ao dia 15 de julho. Depois desta greve serão apresentadas e publicadas novas formas de luta, para já até dia 15 de julho. E depois do fim das férias judicias, apresentaremos outro calendário de greves até 31 de dezembro, até que o Governo comece a trabalhar, que comece a fazer aquilo para que foi eleito: trabalhar para que haja uma boa administração na Justiça que é o que não esta a ser feito no momento”, termina António Marçal, dizendo que “a bola está do lado do Ministério da Justiça”.











