Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
O nosso país vive alienado. Impressionante os temas que nos motivam a atenção: se o ex-ministro sabia ou não do que disse que não sabia sobre a TAP; quando deveríamos era perceber porque é que esta companhia finalmente deu lucro (talvez porque não foram buscar um “boy” para gerir a empresa) e qual o modelo estratégico para o futuro. “Berramos” sobre o pacote habitação e o arrendamento coercivo quando sabemos que aparte as medidas fiscais, a administração pública burocrática nunca vai conseguir implementar nenhuma das medidas; sabemos sim é que a única solução passa por melhorar a oferta em parceria com os proprietários e aumentar o volume de construção. Vemos políticos e comentadores a discutir o elevado preço da cebola e a indignarem-se com a contratação de 2 empresas para acompanharem – não controlar como foi dito, pois isso é função do estado – a evolução dos preços do basket de produtos cujo IVA foi retirado; quando o que se deveria discutir era que apoios sociais atribuir e a quem, bem como se a subida da taxa de juro está a atingir o seu objectivo de controlo da inflação pelo empobrecimento da procura.
Agora o tema do dia é a adesão da Finlândia à NATO, algo importante mas irrelevante para um país com a dimensão geoestratégica como Portugal; em que devíamos era estar a discutir como criar uma economia do mar e como vamos financiar a compra de barcos, submarinos e aviões patrulha para controle da gigante plataforma continental com que iremos ficar. Adoramos seguir os desequilíbrios do “namoro” entre PR e PM quando devíamos era ver como se comportam os partidos na AR e pior ainda, o seu Presidente que atua quase como “dono da instituição”. Estamos cada vez menos interessados na guerra na Ucrânia pois sabemos que se vai arrastar por um longo período, devemos continuar a reforçar o apoio a este povo corajoso que luta contra um carcereiro medieval. Não falamos dos bancos e dos riscos das instituições financeiras, acreditando nos políticos e banqueiros centrais, os mesmos que nos diziam em 2008 que estava tudo bem. Não estamos a discutir a real implementação do PRR, como um enorme fator de desenvolvimento económico e social do país, devendo ter dinamizado o setor privado e devendo entregar (e controlar) a aplicação do dinheiro a quem o sabe investir: o setor privado. Nem nos lembramos da necessária redução da pesada carga fiscal sobre a classe média e empresas, que empurra o médio para baixo e gera uma economia paralela sem precedentes. Não falamos do acordo assinado entre governo, patrões e sindicatos para o crescimento salarial no médio prazo mas de imediato atraiçoado pelo governo com a sua “agenda de trabalho digno”, que apenas vai promover o desemprego. Já nem com os “nossos” nos preocupamos, com o impacto negativo das greves sucessivas na educação e nos transportes na vida dos Portugueses e no futuro dos jovens. Um trabalhador paga o seu passe, mas falta ao trabalho e não é remunerado porque o sector dos transportes passa mais tempo a fazer greves do que a trabalhar. Ou da falta de dignidade das condições dos professores mas também da falta de dignidade de alguns dos seus modelos de greve (de uma hora no início do dia), com o prejuízo familiar que causa, mas acima de tudo com as consequências catastróficas para os alunos. Como disse sempre “este não é um país para labutar”. É um país que odeia os ricos, odeia a criação de riqueza e prefere distribuir rendimento que não tem e por isso tem que se endividar. “Acabemos com os pobres e não com os ricos”!




