Putin vai reconhecer territórios separatistas ucranianos como independentes

Josep Borrelll, chefe da diplomacia europeia, lembrou que a União Europeia tem as sanções em cima da mesa

Francisco Laranjeira

O Kremlin confirmou esta segunda-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, irá reconhecer os territórios separatistas na região de Donbass, na Ucrânia, como independentes, em breve. “Um decreto nesse sentido será assinado em breve”, disse a presidência russa, de acordo com uma fonte do Kremlin, que acrescentou que Putin informou o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, mediadores do conflito no leste da Ucrânia, desta decisão, tendo estes reagido expressando a sua “deceção”.

Vladimir Putin já tinha anunciado, horas antes, que iria decidir hoje sobre o reconhecimento da independência das regiões separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia, apesar das ameaças de retaliação por parte dos países ocidentais, se o presidente russo tomasse essa decisão.



O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrelll, já reagiu e avisou que a União Europeia tem as sanções em cima da mesa e “está pronta a reagir”. “O trabalho está feito. Estamos preparados”, explicou o representante da diplomacia da União Europeia, que acrescentou que estão prontos para o fazer “se chegar a hora, mas trabalhamos para que essa hora não chegue”.

Na reunião cuidadosamente orquestrada e pré-gravada do Conselho de Segurança presidencial, um fluxo de altos funcionários russos defendeu o reconhecimento da independência das regiões separatistas, embora alguns sugerissem que Putin não precisava de o fazer imediatamente. Isso ocorreu durante o aumento dos combates nas regiões que as potências ocidentais acreditam que a Rússia poderia usar como pretexto para um ataque à democracia de aparência ocidental que desafiou as tentativas de Moscovo de trazê-la de volta à sua órbita.

Líderes da autoproclamada República Popular de Donetsk (DPR) e da República Popular de Luhansk (LPR) fizeram os pedidos hoje.

Putin disse ao seu conselho de segurança que era necessário considerar os pedidos do líder da DPR, Denis Pushilin, e do líder da LPR, Leonid Pasechnik, pois disse que a ameaça à Rússia iria aumentar se a Ucrânia se juntasse à NATO. Atender aos pedidos pode permitir que Putin envie tropas abertamente para essas regiões e argumente que ele estaria apenas a proteger os estados separatistas como um aliado contra a Ucrânia.

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