O relatório sobre as festas em Downing Street, com a presença e aval do primeiro-ministro Boris Johnson, revelou-se um campo minado que explode um bocadinho mais todos os dias. Embora o documento fosse restrito nas suas alegações, respeitando assim o pedido expresso da Polícia Metropolitana – de não se fazer mais do que “referências mínimas” ao que estava sob investigação – a verdade é que as datas e reuniões que enumera deram múltiplas pistas públicas que se revelam cada vez mais comprometedoras para o primeiro-ministro britânico. Dos 16 eventos sobre os quais Gray reuniu informações, assinaladas com data e localização, doze estão a ser analisadas pela Scotland Yard. Ou seja, sobre essas há claros indícios de infração penal. E pelo menos em dois deles a presença de Johnson foi detectada através de testemunhas.
Um dos casos, descrito pelo jornal The Guardian, coloca Johnson na festa de despedida de um conselheiro político que trabalha actualmente no Ministério da Cultura e que, na altura, estava na dependência do Gabinete do Primeiro-Ministro. Ocorreu a 14 de janeiro de 2021, estava o Reino Unido a sair do Natal cancelado, com medidas muito restritivas ainda em vigor. Ao que se sabe, havia espumante italiano para o brinde e coube a Johnson fazer o discurso de despedida.
Outro caso está igualmente debaixo de fogo. Estávamos a 13 de novembro de 2020 quando o seu principal conselheiro, Dominic Cummings, deixou o gabinete em Downing Street. Era a imagem da derrota, a carregar uma caixa de cartão com os seus pertences pessoais e preparava-se para furar o confinamento levando a mulher e o filho para a casa de campo, fora de Londres. Nessa noite, confirma-se agora, houve festa – garante a imprensa britânica – ao som de The winner takes it all was playing, dos ABBA. E a equipa de Johnson foi incapaz de negar os relatos, descritos também no Daily Telegraph, que o colocam a subir ao apartamento enquanto a música ainda tocava.




