Boris Johnson está a ser acusado de “desacreditar o sistema de condecorações honrosas” no Reino Unido, depois de se saber que, na lista que apresentou após abandonar o cargo de primeiro-ministro inglês, destinada a indicar personalidades a receberem ordens honoríficas, conta o nome do seu pai, Stanley Johnson.
Quando o primeiro-ministro inglês sai do cargo, pode pedir ao monarca em funções que conceda condecorações menores a um determinado número de pessoas, apresentadas numa lista. Boris Johnson, que se demitiu em julho do ano passado e abandonou o cargo em setembro, atrasou-se na entrega da lista de personalidades que gostaria de ver a receber ordens honoríficas e especulava-se que procurava que fossem atribuídas à mulher, Carrie, e à irmã, Rachel Johnson, isto já depois de o antigo primeiro-ministro inglês ter condecorado o próprio irmão, Jo Johnson, quando ainda estava em funções.
Agora, segundo o The Times, Stanley Johnson, pai de Boris, faz parte da lista de 100 nomes que o antigo primeiro-ministro apresentou ao rei Carlos III. Um porta-voz adianta que “não comenta questões de ordens honoríficas”.
Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, e voz muito crítica de Boris Johnson durante todo o seu mandato, descreveu a ideia de Stanley Johnson se tornar cavaleiro ou ‘Sir’ como “ridícula”. “É um clássico, num homem como Johnson. Eu acho que o público vai achar isto um ultraje. A ideia de um primeiro-ministro conceder honras ao próprio pai… Por que serviços ao país?”, questiona.
Wes Steering, do mesmo partido, diz que a ação de Boris Johnson “desacredita o sistema de ordens honoríficas, desacredita o gabinete do primeiro-ministro” a vai mais longe: “Dada a conduta de Boris Johnson [quando esteve em funções], até se pode argumentar que o pai dele tem muito por que responder”.
Entre outros nomes da lista que Boris Johnson terá presentado está a antiga ministra da Cultura Nadine Dorries ou o ex-editor do Daily Mail Paul Dacre. Enquanto foi primeiro-ministro, Johnson já tinha tornado o irmão e dois amigos próximos ‘Lordes’.
A nomeação de Stanley Johnson é particularmente polémica já que se viu envolvido em acusações de assédio sexual. Em 2021, a conservadora Caroline Nokes e uma jornalista acusaram o pai de Boris Johnson, ex-deputado, de lhes ter tocado inapropriadamente.
Nokes garante que o pai de Boris Johnson lhe deu uma palmada no rabo e fez comentários ofensivos, durante uma conferência do Partido Conservador. Stanley Johnson negou os incidentes e disse “não ter qualquer memória de estar com Caroline Nokes”.





