Os últimos dias estão a ser marcados por uma grande turbulência na banca internacional, com destaque para o colapso do Silicon Valley Bank nos EUA e da venda do Credit Suisse ao UBS deste lado do Atlântico. No entanto, será esta situação tão grave como a de 2008?
Ambos os anúncios causaram turbulência nos preços das ações em todo o setor da banca, no entanto, é de sublinhar que os dois bancos encontraram dificuldades por razões muito diferentes.
Por um lado, os problemas do Silicon Valley Bank surgem devido à sua alta exposição a startups tecnológicas, cujos depósitos o banco investiu nas obrigações do Tesouro dos EUA e títulos semelhantes. Assim, quando a Reserva Federal dos EUA (Fed), aumentou acentuadamente as taxas de juro, o valor destes títulos caiu, e com as taxas de juro mais elevadas parou o financiamento e as empresas começaram a retirar os depósitos do SVB.
No caso do Credit Suisse, o preço das ações tem vindo a descer nos últimos dois anos, tanto por falhas de gestão de risco, como pela exposição do banco à Archegos Capital Management, que colapsou em 2021. O plano de recuperação não foi suficiente.
“A banca é realmente um jogo de confiança. Não há nenhum banco no mundo que possa sobreviver se cada um dos depositantes entrar e retirar o seu dinheiro. É aí que a boa regulação e a prudência são cruciais”, diz Justin Bisseker, analista de bancos europeus da gestora de ativos Schroders.
Bisseker diz que este acordo de venda do Credit Suisse ao UBS veio impedir uma “implusão desordenada” do credor suíço, e que esta situação é positiva para a banca europeia porque não qualquer interpolação para outros bancos.
Por sua vez, Jonathan Harris, Global Credit Investment Director, afirma que “a situação que o setor da banca enfrenta é muito diferente e muito menos grave do que a da crise financeira de 2008. As empresas bancárias são muito mais conservadoras, o capital é várias vezes superior ao que era em 2008, a liquidez é regulada de perto e os bancos centrais estão muito melhor posicionados para responder, dadas as suas experiências desde 2008”.
“No entanto, a confiança foi claramente abalada, pelo que continua a ser importante que todas as autoridades relevantes abordem as fragilidades detetadas no sistema bancário para restaurar essa confiança”, sublinha.
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