A Reserva Federal norte-americana (Fed) decide esta quarta-feira uma nova subida das taxas de juro, num período marcado por uma forte turbulência no setor financeiro, que levou ao colapso do Silicon Valley Bank ou do Signature Bank. As previsões foram revistas em baixa após os acontecimentos, e os especialistas apontam para uma subida de um quarto de ponto percentual.
“Em fevereiro, os investidores pareceram capitular ao adicionarem mais de 100 pontos-base (pb) na taxa terminal da Fed entre o início e o final do mês. A tensão no sistema bancário reduziu as expetativas para quase zero, e os investidores antecipam agora cortes dos juros no final de ano”, explica Franck Dixmier, Diretor Global de Investimentos em Obrigações, Allianz Global Investors (AllianzGI), em comentário enviado à Executive Digest.
O especialista acredita que a Fed deve continuar a endurecer a sua política monetária, e espera um aumento de 25 pontos-base na reunião de hoje do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Ricardo Evengelista, analista sénior da ActivTrades, partilhou com e Executive Digest que partilha da mesma visão. “Persiste alguma incerteza, mas acredito que o mais provável será o anúncio de uma subida de 25 pontos-base no dia 22 de março, com mais duas subidas da mesma magnitude até ao fim do verão, para uma taxa terminal de 5.5%”.
Recorde-se que no passado dia 16 de março o Banco Central Europeu (BCE) demonstrou que não colocou o pé no travão no combate à inflação, com uma subida de 50 pontos-base nas taxas de juro.
“Mas a situação reforça as incertezas sobre a amplitude das próximas subidas dos juros. Estes aumentos vão depender da gravidade da crise nos bancos regionais e da capacidade das autoridades para conter qualquer contágio. A natureza muitas vezes irracional das crises bancárias (psicologia do mercado e dos depositantes) sugere que ainda é muito cedo para cantar vitória”, destaca o especialista da AllianzGI.














