Putin reúne-se com 12 oligarcas no Kremlin para avisar que o interesse da Rússia sobrepõe-se ao lucro

Cleptocracia na Rússia tem regras claras: os oligarcas podem fazer e desfrutar das fortunas com a bênção de Putin e do Kremlin. Em contrapartida, os mais ricos da Rússia ficam fora da política e curvam-se perante o presidente

Francisco Laranjeira

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou na última semana alguns dos oligarcas mais ricos e poderosos do país ao Kremlin para exortá-los a colocar o patriotismo à frente dos lucros.

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“Um empresário responsável é um verdadeiro cidadão da Rússia, do seu país, um cidadão que entende e age de acordo com os seus interesses”, referiu Putin. “Não esconde ativos no exterior, mas regista empresas aqui, no nosso país, e não fica dependente de autoridades estrangeiras.”

A economia da Rússia tem-se mostrado mais resiliente no curto prazo do que o esperado pelas autoridades ocidentais, encolhendo apenas 2,1% em 2022, apesar das sanções que visaram isolar Moscovo. Mas um déficit orçamental crescente – em parte devido à queda nos lucros na exportação de combustíveis fósseis – faz aumentar o perigo de mal-estar económico a longo prazo para a Rússia.

A cleptocracia na Rússia tem regras claras: os oligarcas podem fazer e desfrutar das fortunas com a bênção de Putin e do Kremlin. Em contrapartida, os mais ricos da Rússia ficam fora da política e curvam-se perante o presidente.

“Dependem da boa vontade [de Putin]”, disse à Newsweek Oleg Ignatov, analista sénior do grupo de reflexão do ‘Crisis Group’ para a Rússia. “Muitas pessoas no Ocidente pensam que podem influenciá-lo. Mas acho que isso não é verdade. Eles não podem influenciá-lo. É ele quem pode influenciá-los.”

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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, garantiu que não há divergências de opinião entre Putin e os oligarcas. “No escritório executivo presidencial, nos círculos de negócios, podem ser realizadas discussões sobre a operação militar especial e uma série de aspectos de segurança”, disse Peskov em comunicado. “No entanto, isso em nada afeta a consolidação absolutamente predominante do Estado e da sociedade em torno da decisão do presidente de realizar a operação militar especial.”

Mas Ignatov tem uma perspetiva diferente. “Acho que a maioria não gosta desta guerra”, apontou. “Mas são reféns das suas regras. Eles entendem bem que, se não cumprirem as regras, vão perder os seus bens. Perdem tudo. A escolha é muito clara para eles.”

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