UE não consegue impor as suas sanções à Rússia: saiba quais os países que alimentam máquina de guerra de Putin com produtos europeus

Países da União Europeia e do G-7 têm introduzido várias rondas de sanções à Rússia devido à invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro do ano transato, numa tentativa de degradar a máquina de guerra de Putin e minar a economia russa

Francisco Laranjeira

Os países da União Europeia e do G-7 têm introduzido várias rondas de sanções à Rússia devido à invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro do ano transato, numa tentativa de degradar a máquina de guerra de Putin e minar a economia russa. No entanto, conforme ilustrou a agência ‘Bloomberg’, os dados sugerem que o impacto real em algumas áreas está abaixo das expectativas ocidentais.

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“Simplesmente assinar novas sanções não é suficiente”, indicou Daniel Tannebaum, líder global de práticas de crimes financeiros da consultoria Oliver Wyman. “Os Governos agora precisam de mecanismos de conformidade.”

As exportações da China para a Rússia aumentaram à medida que Pequim cumpre um papel cada vez mais importante no fornecimento a Moscovo, revelou à agência um diplomata, que pediu para não ser identificado.

A União Europeia sancionou quase 1.500 pessoas, restringiu as exportações de centenas de bens e tecnologias e apontou a algumas das principais fontes de receitas de Moscovo: no entanto, as autoridades não escondem a preocupação com a incapacidade do bloco comunitário de criar um mecanismo eficaz para fazer cumprir essas restrições.

Ainda há um longo caminho para a União Europeia para alcançar a capacidade dos Estados Unidos nesta área: os maericanos não apenas aprovam sanções, têm força suficiente para fazer com que boa parte dessas sanções sejam executadas e concretizadas através de uma agência centralizada, procedimentos mais eficientes na recolha de informações e ferramentas para fazer cumprir as regras em casa e no exterior.

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Na União Europeia, a aplicação e execução das regras é um esforço que recai sobre o mosaico de Estados-membros: enquanto a Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, supervisiona a implementação e fornece orientação, as autoridades nacionais são responsáveis por identificar violações e impor sanções – e por isso os resultados são inconsistentes.

“As nossas sanções são fortes e contribuem para uma recessão económica sustentada na Rússia”, apontou o búlgaro Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão. “Mas a sua eficácia depende também do quão bem elas são aplicadas.”

À distância, e numa análise superficial, as sanções parecem ser eficazes: a economia russa contraiu e muitos dos seus bancos e empresas permanecem isolados do sistema financeiro internacional. Há também indícios de que as restrições tecnológicas enfraqueceram as principais indústrias russas e prejudiaram a sua capacidade de inovar no futuro.

No entanto, segundo o ‘Trade Data Monitor’, com sede em Genebra, alguns dos bens sancionados, particularmente semicondutores avançados, estão a ser desviados para a Rússia através de países terceiros, muitos dos quais mudaram abruptamente os seus hábitos comerciais depois da invasão da Ucrânia.

Em alguns casos, as exportações para a Rússia de tecnologias que podem ser usadas para fins militares passaram de zero para milhões de dólares. Atente-se ao caso do Cazaquistão: antes do início do conflito, exportava 12 mil dólares em semicondutores avançados para a Rússia. Em 2022, a fatura passou para 3,7 milhões de dólares.

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A Rússia comprava, entre 2017 e 2021, uma média de 163 milhões de dólares em chips avançados e circuitos integrados da União Europeia, Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Em 2022, as exportações caíram para um terço.

No entanto, os dados mostram que Turquia, China, Sérvia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão e outras economias do leste europeu e da Ásia Central têm ajudado a compensar o déficit – as remessas das nações aliadas para esses países aumentaram em quantidade semelhante. O padrão é identificável em centenas de categorias de produtos mas torna-se particularmente visível em chips e circuitos integrados que podem ser usados para fins militares.

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