Explicador: BCE volta hoje a subir taxas de juro. O que esperar do anúncio do banco central?

Este é o dia mais aguardado de toda a semana, o dia em que o Banco Central Europeu (BCE) decide mais uma subida das taxas de juro, num esforço constante do regulador europeu controlar a inflação.

André Manuel Mendes

Este é o dia mais aguardado de toda a semana, o dia em que o Banco Central Europeu (BCE) decide mais uma subida das taxas de juro, num esforço constante do regulador europeu controlar a inflação.

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“O impacto desta subida foca-se no controlo da inflação. O facto de haver menos rendimento disponível leva a abrandamento do consumo, desincentivo ao crédito e abrandamento do investimento.  Toda economia será afetada, mas os mais afetados negativamente serão sempre aqueles que estiverem mais endividados”, explica à Executive Digest, Vítor Madeira, analista da XTB.

Os especialistas e o consenso apontam para uma subida de 50 pontos-base nesta reunião, e anteveem novos aumentos nas reuniões posteriores em junho e julho.

“A subida terá um impacto imediato no setor do crédito, com subidas das taxas Euribor. Os principais afetados serão aqueles que tiverem empréstimos com taxas variáveis, como por exemplo as hipotecas das casas, que irão pagar prestações mais altas”, afirma Ricardo Evangelista, analista sénior da ActivTrades.

Questionados se a política de aperto monetário do BCE está a gerar resultados concretos no combate à inflação, Ricardo Evangelista afirma que sem a política monetária mais restritiva que tem vindo a ser adotada, a inflação estaria ainda mais alta. Por outro lado, Vítor Madeira considera que não está, até à data, a gerar resultados concretos, e que teremos que esperar para ver ao longo dos próximos meses.

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“Na minha ótica, o BCE demorou muito tempo a reagir à inflação, para além disso subiu as taxas muito lentamente. Isso pode levar a Zona Euro para um contexto de estagflação caso o desemprego comece a escalar. As taxas de juro deveriam subir de forma rápida para que seja estancada a inflação numa fase precoce, para que depois seja feito o ajuste da descida da taxa de forma gradual”, explica.

 

O que esperar?

“No cenário atual, com um mercado laboral com escassez de oferta, e onde os salários têm subido muito, controlar a inflação não é tarefa fácil e vai requerer mais aumentos dos juros”, considera o analista sénior da ActivTrades.

Assim, Ricardo Evangelista acredita numa subida de 50 pontos-base em março, seguida de novas subidas de 25 pontos-base em junho e julho.

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Vítor Madeira também concorda que iremos observar a mais subidas das taxas de juro. “É de notar que em 2012 o BCE exigiu aos bancos mais garantias nos seus rácios e aumento das reservas. Poderá acontecer que neste contexto de instabilidade o BCE possa colocar algumas medidas aos bancos para a segurança do sistema financeiro”.

Ambos também partilham da ideia de que dificilmente veremos um corte antes de 2024 ou enquanto a inflação não descer dos 3%, relembrando que a meta do BCE é os 2%.

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