Um início de semana turbulento, com o colapso do Silicon Valley Bank, nos EUA, indicou a possibilidade de a Reserva Federal ponderar um novo aumento das taxas de juro na reunião de março. No entanto, este acontecimento não deve influenciar a decisão do Banco Central Europeu (BCE) em apresentar mais uma subida.
“Antes da recente turbulência do mercado, tínhamos poucas dúvidas de que o BCE anunciaria outro aumento de taxa de 50 pontos-base esta semana, enquanto continuava a adotar um tom hawkish… A nossa confiança diminuiu um pouco, à medida que os investidores reduzem as suas expectativas de taxas de juros mais altas em todo o mundo”, diz a Ebury na sua previsão semanal.
Ainda assim, mantêm a espectativa de um aumento de 50 pontos-base após a reunião de quinta-feira, como tem sido previsto por diversos especialistas.
O BCE aumentou todas as suas três principais taxas de juros em 50 pontos-base na sua última reunião no início de fevereiro, e o tom de Christine Lagarde pode indicar que estão previstos novos aumentos nas próximas reuniões.
“É importante ressalvar que as comunicações da presidente Lagarde foram duras, abrindo caminho para um aperto adicional nas próximas reuniões. O Conselho do BCE sinalizou na sua declaração que “pretende” fazer o mesmo em março – raramente o banco foi tão explícito nas suas orientações futuras”, sublinham.
A inflação global surpreendeu positivamente no mês passado, tendo registado uma queda para os 8,5%. No entanto, a Ebury acredita que “fechar os olhos às pressões inflacionárias subjacentes não é uma opção para o BCE”.
“O colapso do Silicon Valley Bank levantou preocupações de que os rápidos aumentos das taxas de juros em todo o mundo possam ter uma consequência não intencional de ameaçar a estabilidade financeira”, considera a Ebury.
No entanto, a empres ade gestão de risco continua a apontar para uma escalada de mais 50 pontos-base, apesar dos temores de um possível contágio do outro lado do Atlântico,
“No mínimo, agora não acreditamos que o BCE se comprometerá previamente com a dimensão dos aumentos após a reunião de março, o que pode apresentar alguma queda a curto prazo para o euro”, explicam, sublinhando que não estão a prever uma eliminação das subidas nas próximas reuniões devido à ainda elevada taxa de inflação.
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