Incentivos americanos fazem vacilar empresas europeias: Volkswagen suspende planos de gigafábrica na Europa e pode receber 10 mil milhões de euros em subsídios dos EUA

Decisão do grupo automóvel é a mais recente consequência do pacote de subsídios e incentivos fiscais à tecnologia verde avançado pela Administração Biden, num valor total de 396 mil milhões de dólares, que está a atrair diversas empresas europeias

Francisco Laranjeira

A Volkswagen pretende suspender uma fábrica de baterias planeada para a Europa Oriental em detrimento de uma instalação semelhante nos Estados Unidos depois de estimar que poderia receber 10 mil milhões de euros em incentivos dos EUA.

A decisão do grupo automóvel é a mais recente consequência do pacote de subsídios e incentivos fiscais à tecnologia verde avançado pela Administração Biden, num valor total de 396 mil milhões de dólares, que está a atrair diversas empresas europeias.



Segundo o grupo automóvel, o maior da Europa, em esclarecimentos prestados às autoridaes da União Europeia que espera receber entre 9 e 10 mil milhões de euros em subsídios e empréstimos, devidos à Lei de Redução da Inflação proposto pelo presidente americano, ao longo da vida útil da fábrica.

A VW ‘esperava’ agora para ver como a UE iria responder aos incentivos de Washington antes de avançar com o plano de construir nos Estados Unidos. “Os planos americanos avançaram mais rápido do que o esperado e ultrapassaram a tomada de decisões na Europa”, reconheceu uma fonte próxima do grupo automóvel, em declarações ao ‘Financial Times’.

A política de incentivos dos Estados Unidos provocou pânico entre os decisores políticos europeus, à medida que as indústrias de alta tecnologia, como as das baterias elétricas, olham para o outro lado do Atlântico à medida que a concorrência da China se intensifica.

A Comissão Europeia pretende publicar, na próxima semana, um ‘Net Zero Industry Act’ com parte da resposta do regime verde dos Estados Unidos e planeia ‘afouxar’ as regras sobre os auxílios estatais, assim como reavaliar a possibilidade de aplicar subsídios a nível europeu. No entanto, o percurso promete ser ‘sinuoso’.

“Fomos contactados por muitos estados americanos e todos destacaram a política verde. Quando reunimos os números, as condições que oferecem são muito mais interessantes do que as condições que oferecem na Europa”, reconheceu um executivo do sector.

A VW garantiu que ainda não tomou qualquer decisão sobre a localização das suas fábricas, garantindo estar comprometida com o seu plano de construir mais unidades de produção na Europa. “Mas para isso precisamos de condições adequadas. É por isso que esperamos para ver o que o chamado ‘Green Deal’ da UE vai trazer”, apontou. Também a fabricante de baterias Northvolt sugeriu que poderia escolher os Estados Unidos em vez da Alemanha ao decidir a localização da sua próxima gigafábrica, a menos que Bruxelas desse um apoio mais concreto – a Northvolt estimou que seria capaz de receber mais de 8 mil milhões de euros em subsídios dos EUA para uma fábrica.

A Europa corre o risco de perder “milhares de milhões de investimentos que serão decididos nos próximos meses e anos”, lamentou Thomas Schmall, chefe da unidade de componentes da VW, sublinhando que o grupo automóvel está a fazer “progressos muito mais rápidos” com os planos de fábrica nos Estados Unidos. A VW anunciou planos, há dois anos, para a construção de seis gigafábricas. Arno Antlitz, diretor financeiro da VW, referiu que o gigante automóvel “teria feito uma fábrica de baterias nos Estados Unidos de qualquer maneira” mas que os novos subsídios aceleraram os seus planos. “Dá-nos um vento de cauda em termos de velocidade e consequência, então temos a possibilidade de ampliar a nossa pegada global ainda mais rápido nos Estados Unidos”, finalizou.

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