A inflação “está longe de ser controlada” e os “aumentos nas taxas de juro até agora foram insuficientes” para levar a inflação para os níveis de referência dos principais Bancos Centrais, considera David Brito.
O Diretor-Geral da Ebury explica à Executive Digest que os dados da inflação foram surpreendentes, o crescimento económico está a recuperar em todo o mundo e os mercados de trabalho permanecem muito ajustados.
“Neste contexto, é plausível a expectativa de que a taxa terminal esteja nos 6%, e não apenas nos EUA. Os mercados não estão recetivos a este cenário. Títulos de dívida e ações estão novamente em queda, e o dólar está a valorizar, sustentado pelas expectativas de novas subidas nas taxas de juro por parte da Reserva Federal e o seu estatuto de moeda de refúgio”, sublinha.
Para esta semana, David Brito considera que a atenção estará voltada para os principais dados económicos que serão divulgados no final da semana, principalmente da Zona Euro.
Os índices PMI globais de atividade económica serão divulgados na sexta-feira, “mas não se espera um grande diferencial em relação aos números preliminares já divulgados”. Na quinta-feira é divulgado um relatório crítico de inflação fora da Zona Euro, para o mês de fevereiro.
“Outra surpresa ascendente aqui pode impulsionar os preços de mercado da taxa terminal da Zona Euro além do nível de 4%, o que achamos ainda modesto, considerando a tarefa em mãos para o BCE. Esperamos que isso impulsione o Euro novamente de volta ao topo”, destaca.
No que diz respeito à moeda única europeia, a Ebury considera que “o fluxo de dados da semana passada da Zona Euro deveria ter colocado de lado qualquer noção de que o BCE está próximo do fim do ciclo de subidas”, e destaca que os resultados de fevereiro “poderão ter acabado com qualquer possibilidade de recessão”.
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