As imagens multiplicaram-se nas redes sociais nas últimas semanas: o descontentamento dos militares russos na frente de batalha na Ucrânia com o os equipamentos de reforço, enviados por Moscovo para responder ao inverno rigoroso esperado. Irritados, os soldados mostram capacetes da II Guerra Mundial, coletes antibala chineses que não funcionam, armas enferrujadas, e as instalações precárias onde estão aglomerados, com pouco ou nenhum treino durante duas semanas. Com a chegada do frio, a revolta atingiu novos máximos e aumentou o número de desertores no exército russo.
Muitos militares, deixados à sorte em posições de defesa na frente de batalha, sem agasalhos, comida ou oficiais que deem ordens, consideram que o frio de novembro, após um outubro ameno, e as previsões de neve e temperaturas para as próximas semanas, foram “a gota de água” na paciência de muitos recrutas russos.
Segundo o El Mundo, multiplicam-se os casos de soldados russos que preferem abandonar a frente de combate, em especial a norte, onde os termómetros têm descido mais. Uns rendem-se aos ucranianos, outros abandonam as posições e acabam parados e denunciados pelos próprios camaradas.
Foi este o caso de 30 sobreviventes do regimento 359, que num vídeo denunciaram ter sido “chacinados” pelas forças ucranianas, após terem sido obrigados a enfrentar artilharia-pesada e tanques apenas equipados com AK47.
Na cidade ocupada de Zaitsevo, na região ilegalmente anexada de Luhansk, mais de 300 russos foram feitos prisioneiros na cave de um edifício, segundo o grupo Astra, por “recusarem voltar para a frente de batalha”. A mulher de um dos detidos afirma que “o número de detidos cresce todos os dias” e que os recrutas desertores chegam a passar fome, com uma ração de combate a ser distribuída para cada seis militares.
O portal Meduza, opositor do Kremlin, relata que o Exército russo tem estado a torturar soldados para os obrigar a voltarem para as zonas de combate.
Mulheres de soldados relatam que os casos se repetem, com prisões improvisadas para recrutas que desertam a serem criadas em localidades como Staromlynivka, Rubizhne, Kremina, Dokuchaevsk ou Perevalsk, nas regiões de Luhansk e Donetsk.












