“O mercado de streaming está a evoluir de uma forma estrondosa a nível global”, diz CTO da FUEL TV

O FUEL TV, é um canal conhecido como “a Casa Global dos Desportos de Ação” em televisão e está disponível em mais de 100 países com sede em Portugal. A ‘Executive Digest’ falou com o CTO (Chief Technology Officer), Gonçalo Madeira, para os conhecer um pouco melhor.

Beatriz Cavaca

O FUEL TV, é um canal conhecido como “a Casa Global dos Desportos de Ação” em televisão e está disponível em mais de 100 países com sede em Portugal. A ‘Executive Digest’ falou com o CTO (Chief Technology Officer), Gonçalo Madeira, para os conhecer um pouco melhor.

Como canal focam-se em desportos core como Surf, Skate, Snowboard, BMX, MBT e Wakeboard, bem como na música, na arte e na cultura que os rodeiam. Além disso operam em seis regiões diferentes do mundo, nomeadamente, Norte da América, Latam (México), Brasil, APAC (Ásia-Pacífico), EMEA (Europa, Médio Oriente e África) e Portugal. Transmitem em oito línguas, desde português, inglês, espanhol, francês, alemão, russo, finlandês e sueco.



Neste momento, entre as suas características, a aproximação ao digital parece ser a que estão a dar mais importância tendo em conta o investimento nas diferentes plataformas digitais. O CTO do grupo, Gonçalo Madeira é licenciado em Computer Science and Management e tem experiência na área de IT tendo falado conosco sobre o tema da adaptação dos conteúdos televisivos ao digital, bem como a forma de atingir sucesso com essa opção por parte dos canais.

Como adaptar a televisão ao digital?

Precisamente com essa adaptação em mente, em 2020 lançámos a FUEL TV+, a nossa plataforma digital onde reside a livraria do FUEL TV, que conta com mais de três mil horas de conteúdo, atualizadas à média de 750 horas por ano e à medida que vamos digitalizando as mais de 50.000 cassetes de conteúdo analógico que temos.

Foi também necessário a implementação de plataformas e de processos de trabalho que permitissem uma melhor catalogação dos conteúdos. Esta catalogação é extremamente importante para o meio digital, pois a pesquisa, a indexação e a apresentação de conteúdos têm uma forte componente de metadados.

Para além destas adaptações, os formatos e os protocolos de entrega do canal e dos conteúdos para livrarias on-demand também estão a mudar. A título de exemplo, no primeiro trimestre de 2021 migrámos todas as entregas do canal às plataformas parceiras, com 99% de conversão, para entrega IP. No mesmo ano expandiu-se, consideravelmente, a distribuição do canal e sempre por transmissões digitais.

O digital é o futuro dos negócios televisivos?

Como mencionei, uma boa prova disso é termos abandonado as transmissões via satélite e termo-nos focado no digital como meio de expansão. Apesar do mercado televisivo digital ainda ser embrionário, tendo em conta a sua dimensão, a penetração monstruosa que tem nos targets mais jovens, que têm uma grande capacidade de adaptação, permite-nos ver o crescimento exponencial.

É lucrativo ter um negócio televisivo de forma digital?

Absolutamente. A nível de estruturas de custo, comparativamente ao satélite, reduz-se imenso os custos acerca da entrega. Para além disto, observa-se um crescimento acelerado de novos modelos comerciais por vias do digital, como o formato SVOD, AVOD e de FAST Channels. Juntamente com estes modelos, podemos observar o surgimento de diversas novas plataformas digitais, o que permite uma abrangência global gigante ao mercado. Com certeza que essa abrangência vai potenciar o aumento do negócio e do volume de receitas.

De que forma se distingue o vosso posicionamento na televisão face ao digital, quer no que toca a conteúdos quer no que toca a público-alvo?

Os hábitos de visualização no digital são diferentes, com mais liberdade do utilizador a nível de opções e escolhas (tanto de serviços como de conteúdos disponíveis) e também são mais focados no “On-Demand”, pelo que a nossa solução de SVOD inclui toda a nossa livraria, até mesmo os conteúdos que já não são utilizados no canal linear. Isto permite aos nossos subscritores, por exemplo, ver uma série completa, mesmo nos casos em que as temporadas iniciais são mais antigas e que, como tal, não têm tanta relevância para a televisão tradicional. De qualquer forma, com esta enorme quantidade de conteúdos para se escolher, observamos também a apreciação pela curadoria que fazemos na nossa programação linear, pelo que também o oferecemos na nossa app SVOD, a FUEL TV+. Não fazemos diferenciação do canal linear para a televisão e para o digital porque, afinal, outro ponto importante que se deve ter em conta é que as próprias televisões que hoje estão à venda no mercado, na sua grande maioria, são digitais. Ao nível do produto, preferimos manter a proposta de valor a toda a nossa audiência, independentemente do meio em que nos assistem, mudando apenas alguns pormenores acerca da inserção, ou não, de publicidade.

Quais os principais desafios que sentem na vossa caminhada tecnológica e como se comparam com a televisão?

As alterações tecnológicas têm sido, no entanto, uma excelente ajuda porque permitem quebrar barreiras que antes eram inultrapassáveis. Por exemplo, não era possível ter um canal global de televisão sem ter contratados, pelo menos, três satélites diferentes a preços incomportáveis para canais de nicho. E essa é a razão de muitos canais terem desaparecido. Neste momento, toda a nossa distribuição internacional é feita por IP, a partir de Alfragide, mas podia ser de Los Angeles, de Londres ou de outro sítio, desde que tivesse largura de banda suficiente.

O principal desafio da distribuição digital prende-se com a grande variedade de sistemas e de protocolos. Esta multiplicidade obriga a uma constante evolução das soluções implementadas, de modo a garantir a capacidade de suportar o maior número de clientes possíveis. Outro ponto importante, e que é tanto uma oportunidade como um desafio, é a transparência e a granularidade dos dados de audiência que podem ser obtidos, e que dependem também da capacidade de cada parceiro ou operador. Isto permite-nos analisar esses dados, e ajuda-nos a tomar decisões importantes quanto à programação e à produção ou aquisição de conteúdos, por exemplo. O desafio é justamente na análise e na uniformização destes dados que ainda não são padronizados pelo mercado, o que nos obriga a estar sempre a organizá-los e a agregá-los de maneira a podermos tomar as melhores decisões possíveis, que se reflitam na qualidade do que é entregue aos nossos utilizadores.

Qual o meio (digital ou televisão) onde sentem que existe mais adesão do público aos vossos conteúdos? Existem diferenças entre regiões?

Não é fácil responder a essa questão porque os operadores tradicionais de televisão não fornecem dados concretos de espetadores, mas nos mercados onde o FUEL TV está disponível como um canal de streaming de televisão em territórios-chave, e com um serviço premium global de assinatura de vídeo-on-demand (SVOD) chamado FUEL TV+, temos toda a informação detalhada. Sabemos que o mercado de streaming está a evoluir de uma forma estrondosa a nível global. Quanto à diferença de adesão por mercado, na parte digital em que temos visibilidade, existem diferenças ao nível das regiões devido ao interesse e à popularidade dos desportos que temos no canal. Por outro lado, estes desportos têm vindo a crescer imenso, globalmente, nos últimos anos, pelo que vemos esta diferença diminuir de ano para ano.

Quais os vossos planos a implementar no futuro em termos de negócio televisivo digital?

Estamos cada vez mais a investir em soluções AI para otimizar os recursos e os processos, como é o exemplo do Descript e do DeepL.

Está também prevista a introdução de ferramentas de AI que permitam uma catalogação dos conteúdos, com funcionalidades como a de identificação de pessoas, de objetos e de locais, e a transcrição e transformação em metadados do áudio presente no conteúdo. A análise e padronização dos dados que são recebidos pelos parceiros também são parte constante do aprimoramento e da procura por melhores ferramentas que facilitem o trabalho e as decisões.

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