O lucro do Abanca mais do que duplicou em 2021, para 323,3 milhões de euros, face aos 160 milhões de 2020, num exercício “marcado pela melhoria da rentabilidade”, que foi de 7,8%, anunciou hoje o banco galego.
“O banco sustentou o seu resultado no aumento das receitas recorrentes, com um crescimento de 6,2% da margem base”, refere o Abanca em comunicado, salientando que, paralelamente, “continuou a desenvolver medidas de controlo de custos e implementação de sinergias, o que permitiu melhorar a margem recorrente em 33,1% para 241 milhões de euros”.
Portugal é destacado como “uma peça-chave para o Abanca”, que se assume como uma “instituição de vocação ibérica”, e registou também “uma evolução positiva” em 2021, ultrapassando mesmo “as previsões estabelecidas para o ano”: As formalizações de crédito à habitação foram 58% superiores ao objetivo e as captações de recursos fora do balanço ficaram 26% acima do esperado.
A incorporação do Bankoa e do negócio do Novo Banco em Espanha foi também apontada como tendo contribuído “para melhorar a rentabilidade estrutural do banco”.
A este propósito, o banco galego aponta “o sucesso da política de integrações” que tem levado a cabo nos últimos anos e que se “reflete tanto no crescimento do negócio (+57% em comparação com 2018 e +9,7% quando comparado com o setor bancário), como da rentabilidade (as receitas aumentaram 26,3%, enquanto o setor perdeu 5,4%), e no controlo de custos”.
De acordo com o banco, em 2021 “a atividade recuperou os níveis pré-crise nas principais linhas de negócio”: Face a 2019, as formalizações de crédito à habitação cresceram 40,9% e as formalizações de crédito a empresas e particulares aumentaram 9,5%, ultrapassando os 2.400 milhões de euros.
Já as subscrições líquidas de fundos de investimento triplicaram em relação a 2019 e o volume gerido através do serviço de gestão discricionária de carteiras duplicou no exercício.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, a margem base cresceu 6,2% traduzindo o “bom desempenho” da margem financeira (+4,9%) e das receitas por prestação de serviços (+10%).
“Ambas as linhas de resultados têm crescido de forma constante nos últimos anos, com uma contribuição cada vez mais relevante do mercado português, como evidenciado pelo crescimento de 17,3% da margem financeira e de 12,3% das receitas por prestação de serviços”, enfatiza.
No período, o Abanca reduziu os custos correntes em 4,3%, “através da implementação de projetos de racionalização e do aproveitamento das sinergias relacionadas com as integrações, que resultaram numa melhoria da eficiência, que se situou nos 67,4%”. Como resultado, a margem recorrente (margem base menos gastos de exploração) aumentou 33,1% para 240,6 milhões de euros.
No exercício passado, o volume de negócio do banco espanhol aumentou 18,8%, para 108.682 milhões de euros.
Os empréstimos e adiantamentos a clientes cresceram 17,6% (10,6% excluindo a contribuição do Bankoa e do Novo Banco em Espanha), para 45.982 milhões de euros, e os empréstimos a clientes em condições normais aumentaram em 18,8% (11,7% excluindo as duas novas integrações) para 45.558 milhões de euros.
Já o financiamento às empresas e famílias, que representam 80% do total, constituiu o maior componente.
No total, o banco gere 62.699 milhões de euros em recursos de clientes, o que representa um crescimento de 19,7% (10,6% excluindo o Bankoa e o Novo Banco em Espanha), tendo os depósitos de clientes crescido 17,0% (10,1% sem o Bankoa e Novo Banco em Espanha), para 49.793 milhões de euros.
Ao longo de 2021, o Abanca aumentou os clientes em 9,2%, o número de cartões de crédito e débito em 10,1% e o número de terminais POS em 16,0%.
No que se refere à qualidade da carteira, a cobertura total de ativos não produtivos foi de 76,4%, apontada como “a mais elevada do sistema”, enquanto a cobertura de ativos de cobrança duvidosa se situou nos 85,3%.
Numa altura em que já venceram mais de 95% das moratórias concedidas para ajudar os clientes a enfrentar as consequências económicas da pandemia, a taxa de morosidade situa-se em torno dos 2%.
Em termos de solvência, o rácio de capital do Abanca foi de 16,9% (13,0% de capital de qualidade máxima CET1) e o excedente sobre os requisitos regulatórios foi de 1.527 milhões de euros.








