A análise de José Gonçalves, Presidente da Accenture Portugal
Tal como tem sido tendência, a maioria destas conclusões evidencia o optimismo das empresas em relação a este último trimestre do ano. De forma geral, os executivos estão confiantes, com quase todos (98%) a assumirem crescer pelo menos um dígito e sendo que mais de 40% vão aumentar o investimento face ao período homólogo do ano passado, o que está alinhado com os esforços de superação da pandemia e com as notícias de alívio da grande maioria das restrições. No entanto, 65% revelam-se pouco ou nada confiantes nas medidas de apoio ao combate à crise, o que pode significar que apesar da aprovação do PRR para Portugal no valor de 16,6 milhões de euros, os líderes nacionais não consideram estes fundos europeus suficientes para a recuperação. Uma conclusão bastante animadora e que está alinhada com a estratégia da Accenture, é de que mais de 56% das organizações sentem pouca ou nenhuma limitação nas exportações, o que reforça a ideia de um mercado global com enorme potencial. Em Portugal, a exportação de serviços tecnológicos de alto valor acrescentado e a exportação de processos têm uma grande atractividade porque o talento tem uma grande qualidade a um custo muito competitivo. E terminaria exactamente com o tema do talento, denota-se uma preocupação crescente, sendo que a qualificação dos recursos e, diria eu, a requalificação dos mesmos, surge em segundo lugar nas medidas de gestão internas mais relevantes, logo a seguir ao investimento em novos conceitos e produtos. O mundo do trabalho está a mudar de modo muito acelerado e não vai ser possível esperar pelo novo talento, vai ser necessário requalificar o talento existente, e investir claramente nesta área.
Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 187) da Executive Digest, no âmbito da XX edição do seu Barómetro.













