A pandemia de Covid-19 veio intensificar os problemas de saúde mental em todas as áreas profissionais, e os líderes e profissionais têm-se debatido com problemas de esgotamento (burnout) e stresse neste período. Poderá esta ser a nova pandemia entre os profissionais?
Os dados recolhidos pelo Grupo Adecco junto de 15 mil profissionais, em 25 países de todo o mundo, – ‘Reseting Normal: Defining the new era of work/2021’ – não deixam margem para dúvidas.
No que respeita a pandemia, verifica-se indícios de que o isolamento e a adaptação súbita ao trabalho remoto teria impacto entre as pessoas que foram empurradas para este modelo.
O estudo revela que 54% dos jovens líderes afirmam ter sofrido um esgotamento, o mesmo grupo que assume uma responsabilidade significativa pelo progresso futuro.
Mais de metade de todos os gestores têm dificuldade em identificar quando o pessoal pode estar a lutar com problemas de saúde mental (53%) ou com excesso de trabalho e esgotamento (51%).
Do lado dos trabalhadores, quatro em cada 10 sofrem de excesso de trabalho ou de esgotamento – e os seus gestores diretos nem sempre reparam. 67% afirmam que os seus líderes não correspondem às suas expetativas de verificar o seu bem-estar mental.
74% dos inquiridos diz que a sua empresas devia focar-se no bem-estar mental dos seus funcionários.
“Os líderes precisam de ter competências transversais fortes, como a empatia e inteligência emocional, o autoconhecimento, capacidade de escuta ativa, que são essencialmente traços de um perfil de liderança inclusivo, essenciais para detetar mais facilmente os sinais de stresse e poder ajudar um profissional antes de uma escalada maior na doença mental”, afirma Carla Rebelo, CEO da Adecco Portugal.
CEO da Adecco Portugal deixa ainda um alerta: “Ao nível da saúde mental há um trabalho individual a fazer que não pode ser só exigível às empresas, simplesmente porque nunca será suficiente nem eficaz. As empresas podem funcionar lindamente e proporcionar excelentes condições aos seus funcionários, com lideranças inclusivas e empáticas, fazerem a sua parte e, ainda assim, haver profissionais que não estão felizes. Ultrapassar o tabu, aprofundar o autoconhecimento e estar consciente de sinais de stresse é também uma prerrogativa de cada indivíduo”.








