Crise do gás: Von der Leyen quer levar 27 Estados-membros às compras em conjunto para evitar choques nos preços

O órgão executivo liderado por Ursula Von der Leyen pretende que os governos nacionais adquiram e armazenem em conjunto o gás, de forma a evitar futuros choques nos preços.

Fábio Carvalho da Silva

Depois de os 27 Estados-membros terem ido todos juntos às compras das vacinas contra a covid-19, um esforço comum que reduziu os custos e garantiu a aceleração dos planos de vacinação dos países, a Comissão Europeia quer aplicar o modelo à crise do gás.

O órgão executivo liderado por Ursula Von der Leyen pretende que os governos nacionais adquiram e armazenem em conjunto o gás, de forma a evitar futuros choques nos preços.

A Comissão Europeia está pronta para examinar opções para fortalecer a influência da região nas negociações países terceiros.

O articulado da proposta conta ainda com outras iniciativas, como a revisão dos impostos sobre este tipo de matérias e apoios diretos para as famílias e empresas mais carenciadas a nível energético, de acordo com uma fonte do edifício ‘Europa’, citada pela Bloomberg.

Cerca de 20 países já tomaram medidas para amenizar o impacto da crise ou estão em processo de o fazer, de acordo com o documento citado pela agência norte-americana.

Continue a ler após a publicidade

A mesma fonte afirma que este programa poderá ser financiado por “leilões governamentais, integrados no mercado europeu das licenças de carbono”. O diploma prevê ainda que os Estados-Membros tenham margem de manobra para nomear “um fornecedor de último recurso”.

Uma crise sem precedentes

O preço do gás natural subiu há dois dias para novos máximos nos mercados europeus devido à forte procura à medida que o inverno se aproxima, especialmente na Ásia, mas também devido a uma oferta limitada e aos baixos ‘stocks’ existentes.

Continue a ler após a publicidade

Na quarta-feira, o preço de referência europeu, o TTF (Title Transfer Facility) holandês, aumentou por volta das 11:50 em Lisboa para 135,00 euros por megawatt hora (MWh), mais 16,36% que no fecho de terça-feira, enquanto o preço do gás para entrega em novembro no Reino Unido subiu para 347,27 ‘pence pence per therm’ (uma unidade de quantidade de calor), mais 18,15%.

Hoje, às 15h15 de Lisboa, o preço corrigiu para os 86,62 euros por megawatt hora (MWh), enquanto em Londres

“O atual aumento dos preços da energia na Europa é verdadeiramente único”, reagiram os analistas da Societe Generale, citados pela AFP, acrescentando que “nunca antes os preços da energia subiram tão alto e tão rápido”.

Numa entrevista com a AFP, o analista do Commerzbank Carsten Fritsch viu esta aceleração acentuada dos preços como um “movimento de pânico e medo” face aos baixos ‘stocks’ à medida que o inverno se aproxima no hemisfério norte.

A maioria dos observadores do mercado também apontam para a procura asiática, particularmente da China.

Continue a ler após a publicidade

Os constrangimentos ambientais na extração de carvão levaram a graves carências energéticas, retardando algumas fábricas, e a uma súbita mudança na procura de gás na pior altura possível para a Europa, à medida que esta caminha para o inverno.

Os analistas do ING acrescentam a isto uma combinação de “preços elevados da eletricidade, fornecimento limitado da Rússia e a possibilidade de um inverno mais frio”.

De acordo com os peritos da Capital economics, citados pela AFP, os preços “são suscetíveis de se manterem elevados face aos registados no passado” a médio prazo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.