O gigante a imobiliário chinês Evergrande é posto à prova esta semana. Pouco tempo depois do colapso, a empresa terá de pagar esta quarta-feira 83 milhões de dólares em juros, no âmbito de uma emissão obrigacionista, de acordo com os dados da S&P Global Ratings.
Inicialmente, a emissão obrigacionista estava avaliada em 2 mil milhões de dólares, tendo o valor descido com a notícia do colapso, de acordo com com a Refinitiv Eikon.
Os rendimentos sobre esta emissão obrigacionista, cujo vencimento termina em março de 2022 subiu apenas 10% desde janeiro, um crescimento tímido, como revelam os dados da Refinitiv Eikon.
Esta terça-feira, o Nikkei 225, o principal índice japonês fechou a sessão a descer 2,17%, para os 29.839,71 pontos, enquanto as ações do conglomerado Softbank Group caíram 4,98%. O índice Topix recuou 1,7% no mesmo dia.
O presidente da Evergrande tentou tranquilizar os mercados na terça-feira, ao afirmar que a empresa “vai cumprir as suas responsabilidades com compradores de imóveis, investidores, parceiros e instituições financeiras”, informou a Reuters esta terça-feira, ao citar um órgão de comunicação local.
Os analistas da S&P Global Ratings já fizeram saber, através de um relatório que acreditam que “Pequim só seria obrigada a intervir se houver um contágio de longo alcance para a economia chinesa”, de acordo com o documento publicado esta segunda-feira.
Tudo aponta para que o “Titanic chinês” afunde sem cumprir as suas obrigações
A imobiliária chinesa Evergrande sofreu há onze dias dois cortes na classificação da sua dívida, pelas agências Fitch e Moody’s, provocando receios de falência da empresa, cuja dívida ascende ao equivalente a quase 260 mil milhões de euros.
Aquele montante é superior ao PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal.
A Moody’s cortou a avaliação da empresa e, um dia depois, a Fitch fez o mesmo, ao baixar o rating de CCC+ para CC.
O nível de ‘rating’ CC envolve grande probabilidade de incumprimento.
A China Chengxin, importante agência de crédito chinesa, também baixou a classificação da dívida da Evergrande de AAA para AA, colocando-a numa lista de observação.
O grupo, fundado em 1996, acumulou dívidas para saldar os seus empreendimentos imobiliários e a sua expansão para outros setores, como a saúde ou desenvolvimento de veículos elétricos.
A queda no valor das vendas de casas novas, desde o início do ano, e as novas regulações de Pequim para o setor imobiliário, visando combater a especulação, agravaram a crise de dívida da Evergrande.
No final de dezembro passado, foram aprovados novos regulamentos, que limitam os empréstimos a grandes empresas de imobiliário, algumas das quais, como a Evergrande, já acumulavam fortes dívidas.
O setor imobiliário, um dos pilares do crescimento económico da China nas últimas décadas, representa, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China, 7,5% do PIB do país.
Alguns projetos da Evergrande já foram suspensos, enquanto a empresa coloca ativos à venda, visando criar liquidez, e tenta negociar com os seus fornecedores para atrasar os pagamentos e evitar a falência.
A possível falência da Evergrande, que emprega mais de 120.000 pessoas, seria sentida não só no país asiático, mas também nos mercados globais, dada a grande dimensão do grupo, cujo passivo ascende a 257.487 milhões de euros.




