A indústria mundial dos semicondutores espera encerrar 2021 com um um volume de negócios de 550.876 milhões de dólares (cerca de 471.098 milhões de euros, à taxa de câmbio atual), o que representaria um aumento de 25,1% da taxa anual, de acordo com as estatísticas da Organização para o Comércio Mundial de Semicondutores (WSTS, para sua sigla anglo-saxónica).
Se tal se confirmar será “o melhor desempenho desde 2010″, como explicou, há três dias, Dan Hutcheson, CEO da VLSI Research, em entrevista à ‘Bloomberg’.
WSTS espera ainda que o volume de negócios do setor atinja, em 2022 os 606,482 milhões de dólares (cerca de 518.701 milhões de euros), o que representaria um aumento de 10,1% em relação aos resultados estimados, para este ano.
Segundo a organização, os segmentos deste mercado que mais contribuirão para este crescimento serão os ligados aos circuitos integrados: armazenamento de dados (37,1%), os relativos aos setores analógicos (29,1%), os processadores de lógica (26,2%). No total, estas três áreas terão uma fatia de 436.372 milhões de dólares (cerca de 373.008 milhões de euros), do volume total de negócios.
Por sua vez, a WSTS estima que o segmento de sensores termine este ano com a faturar 18.321 milhões de dólares (15.661 milhões de euros), o que representará um aumento de 22,4% em relação aos 14.962 milhões de dólares arrecadados em 2020.
No globo, a Ásia-Pacífico, onde estão localizados os principais produtores desses chips, registará um crescimento, este ano, 23,5% este ano, com um volume de negócios de 334.705 milhões de dólares (286.152 milhões de euros).
A Europa ocupa o segundo lugar da tabela, com um aumento no volume de negócios de 21,1%, para os 45.446 milhões de dólares (cerca de 38.851 milhões de euros).
As Américas vão registar aumento de 11,1%, para os 105.981 milhões de dólares (90.595 milhões de euros).
Desde o início do ano, o índice Philadelphia SE Semiconductor já superou o seu homólogo tecnológico e um dos principais índices dos Estados Unidos, o Nasdaq Composite, com ganhos superiores a 16%. O Nasqad ficou-se pelos 13%.
Oferta e procura estão desencontradas
Por outro lado, os dados da Associação Patronal dos Fabricantes de Veículos (Anfac) são menos positivos. De acordo com o relatório da organização, a procura do setor automóvel por semicondutores não vai conseguir ser satisfeita pela oferta, até meados de 2022.
Nesta quinta-feira, o grupo Toyota, a empresa automóvel o que registou o maior número de vendas do mundo, em 2020, anunciou que iria cortar 40% da produção, “devido à falta de semicondutores e outros componentes”, pode ler-se no comunicado publicado ontem.
Dos automóveis aos smartphones
Para além do mercado automóvel, a escassez de semicondutores está a invadir o setor da tecnologia. Segundo o diário espanhol ‘Cinco Días’, a falta de chips está atrasar até cinco meses a entrega de produtos eletrónicos.
A “indústria está hoje dois trimestres atrás do mercado. É uma situação muito complicada” porque os prazos para a entrega dos equipamentos era de “45 dias ou dois meses no máximo e, agora, em muitos casos, já passou para quatro ou cinco meses”, refere o jornal espanhol.
Mikako Kitagawa, responsável da consultora Gartner, referiu recentemente num relatório que a “escassez global de semicondutores e as consequentes limitações no fornecimento de componentes aumentaram o tempo de espera de alguns portáteis para até 120 dias”.
Entrevistado pelo diário espanhol, Alberto Ruano, diretor-geral de Lenovo Espanha, alerta para o facto de alguns players do setor não estarem a concorrer a alguns concursos públicos porque as autoridades penalizam quem não cumpre os prazos de entrega.
No fim de julho, o economista-chefe do ING group,Iris Pang, alertou, durante a sua participação no último Markets Forum, promovido pela agência britânica Reuters, para o facto de esta crise chegar ao mercado dos smartphones.
“O PIB chinês registou um ganho de 5% com a escassez de chips. Os grandes produtores do Taiwan decidiram construir as suas grandes fábrica, já planeadas há muito, na China continental”, disse Pang.
“Porém estas grandes empresas de semicondutores estão a fabricar semicondutores para automóveis, um foco que vai sair caro no futuro para a indústria dos smartphones”, alertou o economista.
Adam Khan, fundador da AKHAN Semiconductor já tinha avisado, em declarações ao China Morning Post, que “a crise dos chips veio para ficar e pode durar até 2022”.
No mês passado, a ASML, uma das maiores fornecedoras de semicondutores do mundo, atualizou as suas previsões de vendas, nos próximos trimestres.
O gesto foi replicado por outros grandes players do mercado com grande pegada comercial, como a Intel e a TSMC.









