Atualmente, a produção têxtil e do calçado é responsável por 10% das emissões gases de efeito estufa em todo o mundo, segundo os dados da ONU. Uma análise estudo da Royal Society for Arts, Manufactures and Commerce do Reino Unido, descobriu que quase metade dos produtos vendidos nos maiores sites de “fast fashion” foram produzidos, tendo por base materiais “inimigos do ambiente”, como o poliéster, acrílico e nylon.
No entanto, o setor têxtil está a mudar e Portugal está a seguir a moda.
Em Espanha, Carmen Hijosa uma antiga consultora do setor têxtil no Banco Mundial, ficou chocada com o número de animais que tinham de morrer, para que fossem costuradas peças com couro, pelo que fundou a Ananas Anam, uma empresa que produz “pinatex”, uma fibra de ananás que é uma boa alternativa ao couro natural.
Segundo Hijosa, 95% da base de produção de pinatex é proveniente de plantas e o processo de elaboração do material é “totalmente transparente e sustentável”. As fibras, provenientes de fruta das Filipinas, são extraídas mecanicamente, depois lavadas e secas ao sol, antes de serem purificadas, através da utilização de enzimas.
A pinatex é exportada da Espanha e mais de 80 países em todo o mundo, tendo sido usada para fazer roupas, sapatos, bolsas e decorar interiores.
No mês passado, a Nike lançou uma coleção de ténis, fabricados à base de pinatex, seguindo o exemplo de outras marcas como a H&M e Hugo Boss. Em 2019, a cadeia de hotéis Hilton recorreu a este material para decorar o interior da primeira suite vegana do grupo, em Londres. Hijosa foi ainda finalista do European Inventor Award 2021.
Em Portugal, a Valerius HUB, resolveu o problema de stocks dos seus clientes em fim de coleção através da reciclagem de fibras têxteis em novos produtos com blends de fibras sustentáveis, de papel, de banana, ananás, entre outras.
Como sublinhou em maio, a secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, durante uma conferência da Confederação Empresarial de Portugal, é “necessária uma mudança de paradigma da indústria têxtil e do vestuário, do fast fashion para um modo de consumo mais sustentável”.
“Não nos podemos esquecer que por exemplo que a produção de uma só t-shirt consome 2.700 litros de água, o necessário para o consumo de um ser humano durante mais de dois anos”, referiu a governante.







