Efeitos secundários das vacinas: Nove perguntas e respostas com tudo o que deve saber

Numa altura em que mais de 1,8 milhões de vacinas foram administradas em Portugal, importa esclarecer algumas questões sobre os efeitos secundários da vacinação.

Simone Silva

Numa altura em que mais de 1,8 milhões de vacinas foram administradas em Portugal, importa esclarecer algumas questões sobre os efeitos secundários da vacinação, que muitas vezes peocupam a população. Conheça agora nove perguntas e respostas para tirar todas as dúvidas:

Quais os efeitos secundários das vacinas?



A vacina contra a covid-19 pode ter efeitos secundários, como qualquer outro fármaco. A maior parte destas reações são ligeiras e de curta duração, havendo mesmo uma percentagem significativa de pessoas que não têm qualquer sintoma.

Alguns dos efeitos secundários reportados nos ensaios clínicos incluem dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e febre. Segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), foram também registadas outras reações como vermelhidão no local da injeção e náuseas, mas mais raras. «Os sintomas após a vacinação normalmente duram menos do que uma semana», revela o órgão de saúde.

É verdade que os efeitos secundários da vacina, especialmente após a segunda dose, podem ser graves? Devo estar preocupado?
Os efeitos secundários de curta duração, como fadiga, dor de cabeça, dores musculares e febre, são mais comuns após a segunda dose das vacinas Pfizer-BioNTech e Moderna, que requerem duas injeções cada uma. (A vacina Johnson & Johnson requer apenas uma única injeção, segundo o The New York Times’ (NYT).

Os pacientes que apresentam efeitos secundários desagradáveis ​​após a segunda dose geralmente descrevem a sensação de estarem com uma forte gripe. Durante os ensaios clínicos da vacina, os pacientes foram aconselhados a programar alguns dias de folga do trabalho após a segunda dose, caso precisassem passar um ou dois dias em repouso.

Os dados recolhidos pelo V-Safe, uma aplicação usada para rastrear os efeitos colaterais após a vacinação, também mostram um aumento nos efeitos secundários após a segunda dose, adianta o jornal. Cerca de 29% das pessoas relataram fadiga após a primeira injeção da Pfizer-BioNTech, um valor que aumentou para 50% após a segunda dose. A dor muscular aumentou de 17% após a primeira injeção para 42% após a segunda. Embora apenas 7% das pessoas tenham tido calafrios e febre após a primeira dose, esse número aumentou para cerca de 26% após a segunda dose.

As mulheres têm mais probabilidade de reportar efeitos secundários mais graves do que os homens?
Segundo o jornal norte-americano, uma análise das primeiras 13,7 milhões de doses da vacina administradas nos Estados Unidos, tornou possível concluir que os efeitos colaterais eram mais comuns em mulheres. E embora as reações graves à vacina Covid sejam raras, quase todos os casos de anafilaxia, ou reações alérgicas com risco de vida, ocorreram em mulheres.

A descoberta de que as mulheres são mais propensas a relatar e experimentar efeitos colaterais desagradáveis ​​com a vacina é consistente com outras vacinas também. Mulheres e meninas podem produzir até o dobro de anticorpos após receberem vacinas contra a gripe e contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) e hepatite A e B.

Não tive nenhum efeito secundário. Isso significa que o meu sistema imunológico não respondeu e a vacina não está a funcionar?
Os efeitos secundários recebem toda a atenção, mas se verificarmos os dados dos testes clínicos de vacinas, vemos que muitas pessoas não sentem nenhum efeito secundário além de uma dor no braço. Nos testes da vacina Pfizer, cerca de um em cada quatro pacientes não reportou quaisquer efeitos. Nos testes Moderna  57% dos pacientes (64 ou mais jovens) relataram efeitos colaterais após a primeira dose – que aumentou para 82% após a segunda dose, o que significa que quase um em cada cinco pacientes relatou nenhuma reação após a segunda dose, revela o  NYT.

A falta de efeitos secundários não significa que a vacina não está a funcionar, disse Paul Offit, professor da Universidade da Pensilvânia e membro do painel consultivo de vacinas da Food and Drug Administration. Durante os testes da vacina, um número significativo de pessoas não reportou efeitos secundários, mas os testes mostraram que cerca de 95% das pessoas estavam protegidas. “Isso prova que não é preciso ter efeitos colaterais para estar protegido”, disse ao mesmo jornal.

Devo tomar paracetamol ou ibuprofeno antes de ser vacinado para evitar os efeitos secundários?
Não se deve tentar evitar o desconforto tomando um analgésico antes de receber a injeção. A preocupação é que a pré-medicação com um analgésico como paracetamol (benuron) ou ibuprofeno que pode prevenir efeitos secundários como dor no braço, bem como febre ou dor de cabeça, também possa diminuir a resposta imunológica do organismo.

Ainda assim, os especialistas em vacinas, citados pelo NYT, dizem que se optou por tomar um destes medicamentos não se deve preocupar, nem tentar uma nova ronda de injeções substitutas. Estudos com outras vacinas sugerem que, embora a pré-medicação possa diminuir a resposta imunológica do corpo a uma vacina, o seu sistema imunológico ainda pode montar uma defesa forte o suficiente para combater a infeção.

E tomar um analgésico após a injeção? Posso?
“Não há problema em tratar” os efeitos secundários com um analgésico, segundo Offit, mas só se for realmente necessário. Embora a maioria dos especialistas concorde que é seguro tomar um analgésico para aliviar o desconforto após a vacinação, desaconselham tomá-lo após a injeção apenas por precaução ou se os sintomas forem controláveis.

A preocupação em tomar um analgésico desnecessário é que o facto de poder atenuar alguns dos efeitos da vacina. Durante o ensaio Moderna, cerca de 26% das pessoas tomaram paracetamol para aliviar os efeitos colaterais, e a eficácia geral da vacina ainda era de 94%.

Os efeitos secundários são piores se já contraí Covid-19?
Várias pesquisas sugerem que pessoas com infeção por Covid-19 previamente diagnosticada podem ter uma reação mais forte e mais efeitos secundários após a primeira dose da vacina em comparação com aqueles que nunca contraíram o vírus. Uma reação forte à sua primeira dose da vacina também pode ser um sinal de que já foi infetado, mesmo que não saiba disso.

Se testou positivo para Covid-19 anteriormente ou teve um teste de sangue positivo para anticorpos, esteja preparado para uma reação mais forte à sua primeira dose e considere agendar alguns dias de folga do trabalho para o caso, alerta o NYT.

Já tive Covid-19. Isso significa que posso tomar apenas uma dose?
Estudos sugerem que uma dose pode ser adequada para pessoas com um caso previamente confirmado de Covid-19, mas até agora as diretrizes médicas não foram alteradas. Se recebeu as vacinas Pfizer-BioNTech ou Moderna, deve receber a segunda dose, mesmo que tenha contraído Covid-19.

Segundo a DGS, as pessoas que já tiveram covid-19 e recuperaram da doença também vão ser alvo de vacinação e a sua exclusão da primeira fase tem que ver com a escassez de vacinas. Segundo o organismo, esta questão está “em constante monitorização” e “os estudos têm mostrado que a imunidade adquirida após a infecção por SARS-CoV-2 é duradoura e protege de reinfeções, pelo menos com a mesma eficácia que as vacinas (ou até com mais eficácia)”.

Além disso, “a maioria dos especialistas considera ser seguro que quem já teve a doença tome a vacina”, segundo a DGS.

As vacinas funcionarão contra as novas variantes que surgiram em todo o mundo?
As vacinas parecem ser eficazes contra uma nova variante que se originou no Reino Unido e está rapidamente a tornar-se dominante nos Estados Unidos e até em Portugal. Mas algumas variantes do coronavírus, particularmente uma identificada pela primeira vez na África do Sul e outra no Brasil, parecem ser mais hábeis em evitar anticorpos em pessoas vacinadas.

Embora pareça preocupante, há motivos para ter esperança. Pessoas vacinadas expostas a uma variante mais resistente ainda parecem estar protegidas contra doenças graves. E os cientistas têm uma compreensão clara o suficiente das variantes, para que já estejam a trabalhar no desenvolvimento de doses de reforço que terão como alvo as variantes.

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