A Organização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada que muitos pais se esqueçam de vacinar os seus filhos contra outras doenças, envolvidos só na pandemia da Covid-19, temendo que menos europeus recebam vacinas de rotina para doenças graves durante a pandemia, avança o ‘Euronews’.
“Pelos dados preliminares que temos e pelas informações que estamos a receber das autoridades públicas nacionais, receamos que a cobertura da vacinação de rotina tenha diminuído em 2020”, disse Dragan Jankovic, oficial técnico do escritório da OMS na Europa para doenças evitáveis por vacinação e imunização.
Também uma médica no Reino Unido, confirma esta situação. “As nossas taxas de vacinação reduziram imenso. As pessoas simplesmente não vinham e eu não podia culpá-las porque a mensagem dizia para ficarem em casa”, revela Farzana Hussain à mesma publicação.
“Quando o primeiro bloqueio ocorreu a 23 de março, pude ver as taxas de crianças que vinham para as vacinas infantis a cair rapidamente”, disse a responsável ao Euronews, com as taxas de vacinação para crianças mais velhas a reduzir para menos de 50%.
Sarampo é a doença que inspira maiores preocupações
Embora tenha havido alguns casos de outras doenças na Europa nos últimos anos, o sarampo é a que mais preocupa as autoridades de saúde, sendo uma das doenças mais contagiosas do mundo, tanto que cerca de 9 em cada 10 pessoas que não estão protegidas serão infetadas após a exposição ao vírus.
E a ameaça de um surto de sarampo na Europa não é imaginária – um aumento nos casos de sarampo começou em 2017 e atingiu o pico em 2019, quando mais de 200 mil casos foram notificados, de acordo com a OMS. Os casos no continente triplicaram entre 2017 e 2018, aumentando para 82.596.
Os relatórios mensais de casos de sarampo da OMS na Europa no primeiro semestre do ano passado mostram uma diminuição significativa na transmissão em comparação com 2018 e 2019, com 12.028 casos relatados entre janeiro-junho de 2020.
Mas Jankovic adverte que este número pode ser uma subestimação e ser influenciado por uma série de fatores relacionados com a pandemia, incluindo crianças que não vão à escola para não serem infetadas e interrupções na vigilância laboratorial para sarampo durante o pico de COVID-19.
E o facto é que, se as crianças não receberem as suas imunizações de rotina para nenhuma das doenças contra as quais a Europa vacina, o impacto será sentido no futuro, e não imediatamente, alertou o responsável.










